Diário de Bordo de 6 de Abril de 2012

 

 

No dia 19 de Abril comemora-se o 39º aniversário da fundação do Partido Socialista. Foi em 1973 na cidade alemã de Bad Münstereifel. Militantes da Acção Socialista Portuguesa, reunidos em Congresso, constituíam o novo partido.

 

Havia entre as oposições a consciência de que a ditadura cairia em breve e o novo partido afirmava-se de inspiração «neo-marxista humanista» Dizia que «ponderando os superiores interesses da Pátria, a actual estrutura e dimensão do movimento, as exigências concretas do presente e a necessidade de dinamizar os militantes para as grandes tarefas do futuro, deliberou transformar a ASP em Partido Socialista”.

 

A decisão foi aprovada por vinte dos vinte e sete delegados. Poucos dias depois, a notícia circulou em Portugal. Recebida com esperança por alguns e com cepticismo por outros. Mais do que as palavras do folheto formato A-4 em que a informação era divulgada, os nomes dos fundadores diziam algo sobre o que se pensava que o novo partido iria ser – nomes como os de Mário Soares, Salgado Zenha, José Magalhães Godinho, Vasco da Gama Fernandes, Gustavo Soromenho, Mário Cal Brandão, Carlos Candal, Manuel Tito de Morais, Jorge Campinos, entre tantos outros, provocavam esses sentimentos entre a esperança e o cepticismo.

 

Porém, nem os mais pessimistas seriam capazes de vaticinar que o Partido Socialista se viria a transformar naquilo que é hoje – um servidor passivo de forças que nada têm a ver com «os superiores interesses da Pátria». E a pergunta que se faz aos que querem ser fiéis aos princípios enunciados é – O que estais vós a fazer aí? E a Mário Soares que, quer se queira ou não é o grande referencial do Partido, pergunta-se – «Como pode aceitar que gente rasteira, sem brilho, subserviente e cúpida, se tenha assenhoreado do seu Partido?». Há mais perguntas e mais pessoas que gostaríamos de interrogar – a Maria de Belém Roseira, por exemplo, como aceita ser presidente deste PS?

 

Claro que, todos temos respostas para estas perguntas. Quando se faz uma pergunta, já se tem uma resposta para ela. Mas, nós, os que perguntamos, não temos respostas unânimes. Cada um tem uma explicação para algo que é inexplicável. No entanto, por favor, ninguém se lembre de dizer que o PS é uma federação de sensibilidades. A realidade nada tem a ver com sensibilidades. E com o socialismo muito menos.

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