No dia seguinte, depois da alvorada, foi organizada a coluna e partimos, sempre para o norte. A nossa orientação era o sol. As viaturas pareciam querer colar-se ao solo. A caixa de velocidades das viaturas tinha de trabalhar em constantes reduções. A velocidade diminuía aqui, voltava a subir além! A velocidade era pequena!
Mais tarde viemos a saber que íamos a passar pelas minas de cobre do Mavoio! Passámos por diversas povoações, onde se viam poucos habitante, brancos e pretos, até que chegámos a Maquela do Zombo, uma cidade, com diversas casas comerciais, lojas que pareciam bem abastecidas.
Era meio da tarde e a ordem foi para estacionar e aguardar a manhã seguinte. Partiríamos logo que fosse dia, para tentar chegar ao destino ainda nesse dia.
Como sempre sucede, a tropa estacionada procurava entre os “maçaricos” – tropa-nova – se haveria alguém da sua terra. Era uma azáfama.
Fiquei a saber que a sede do nosso Batalhão iria ficar em Cuimba, mas a distribuição das Companhias era da responsabilidade do comando do Batalhão.
Dirigi-me para a minha viatura onde o condutor, cansado de tantas horas agarrado ao volante, dormia profundamente.
Houve ordem para pôr os motores em marcha; começaram a ouvir-se, primeiro um, depois outro até que estava tudo preparado para arrancar.
Avançávamos. Passámos por matas, estepes com árvores raras, aqui e acolá saltava um animal por cima da vegetação baixa.
Chegámos ao primeiro rio. A ponte, se assim lhe poderemos chamar, eram quatro grossos troncos de árvore amarrados dois a dois, para não se desviarem quando a viatura passasse. O rio era baixo e tinha bancos de areia junto à margem.
Primeira coisa a fazer: Examinar a “ponte” por baixo pois podia estar minada. Não vi nada de anormal. Avançamos! Dois tropas passaram para o outro lado da ponte donde orientavam a progressão da viatura. Mais para a esquerda. Agora a direito, sempre a direito e devagar; avança, avança… pronto. Já está.
Já do outro lado do rio avançamos um bocado para que todas as viaturas pudessem passar e montámos segurança. Esta segurança era muito relativa. No caso, dois homens de pé em cima da viatura um observando para cada lado da estrada, até que a coluna retomou o andamento. Passámos o segundo rio cuja ponte se encontrava em muito melhor estado que a primeira e não ofereceu resistência á nossa passagem.
Finalmente chegámos a Cuimba onde iria ficar o Comando do Batalhão e a Companhia de Comando e Serviços.
Olho bem. A povoação, meia dúzia de casas, se tanto, do tipo colonial, de rés-do-chão, varanda a toda a volta, umas com telhado de zinco, outras com telhado de colmo. Estes telhados avançavam para fora das paredes e das varandas, protegendo assim as varandas e o interior das casas do sol, que em certas épocas do ano é tórrido.
Mais uma paragem. Só no dia seguinte seguiríamos para o nosso destino. Na reunião que houve à noite soubemos finalmente: a minha companhia vai para Pangala.
Procurei afanosamente no meu mapa. Tinha-mos de seguir pela estrada que vai de Cuimba para São Salvador do Congo e mais ou menos a meio desse caminho virávamos à direita na estrada que vai dar à Buela. Buela era um destacamento pertencente ao batalhão sedeado em Cuimba, no Norte, no antigo sector F de S. Salvador do Congo. Ficava na linha entre S. Salvador e Maquela do Zombo, a norte da antiga fazenda McBridge e onde, mais tarde, ficaria a CCaç 667. Andaríamos umas horas até que apareceria na estrada, à direita uma casa comercial de um branco, abandonada. Era nessa casa que ficaria instalado o comando da Companhia.
