Diário de bordo de 20 de Maio de 2012

 
A fotografia com que abrimos o editorial de hoje, é de Teófilo Braga, presidente da República Portuguesa, dirigindo-se ao seu gabinete no palácio de Belém. Viajava de eléctrico, como qualquer outro cidadão, aproveitando a viagem para ler os jornais diários. Tinha presidido ao Governo Provisório. A foto corresponde ao período em que, de Maio a Agosto de 1915, sucedeu a Manuel de Arriaga no exercício da mais alta magistratura da Nação.

 

Quando António José de Almeida, presidente da República de 1919 a 1923, foi, em Setembro de 1922,  ao Brasil para participar nas comemorações do primeiro centenário da independência, a primeira dama, D. Maria Joana Perdigão Queiroga de Almeida, não o pôde acompanhar. Porquê? Porque o presidente não tinha posses para custear as roupas que a solenidade exigia. Era uma visita de Estado, mas comprar roupas para a esposa do presidente com dinheiro público, estava fora de questão. Tanto mais que o País atravessava um período particularmente difícil, pois à profunda depressão económica, juntava-se a epidemia de tifo.

 

Não vamos insistir neste tipo de exemplos. Nem vamos comparar a despesa com os vestidos da esposa de António José de Almeida com os custos da deslocação de Cavaco Silva a Timor. Seria demagógico. O que queremos dizer é que tempos houve em que a classe política estava imbuída de um sentimento de serviço à Nação e ao povo.

 

Outros tempos, dir-se-á. 

 

De facto, eram outros tempos e é natural que haja diferenças. O que se lamenta não é que haja diferenças. Lamenta-se que se tenha regredido.

 

Porque, quer a qualidade intelectual, quer a qualidade moral, quer as motivações dos políticos de hoje, indiciam que estamos a regredir e não a evoluir como seria desejável.

 

E, parece, continuamos a descer.

 

1 Comment

  1. A classe política que está no poder é tão anormal que uma pessoa, por mais raiva que sinta, já nem sabe como há-de começar a escrever sobre o que fazem e dizem. Uma coisa é certa: o chorrilho de obscenidades que saem constantemente da boca de Passos Coelho não lhe pode permitir continuar a ser primeiro-ministro. Nem o Relvas continuar a ser ministro, nem…o diabo que os leve a todos.

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