Fui ao Teatro. Vi A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas. Por João Machado.

Para comemorar o Dia Internacional dos Museus em Vila Franca de Xira foram levados a cabo vários eventos, um dos quais foi a representação no Museu Municipal da peça de Júlio Dantas A Ceia dos Cardeais, apresentada pelo Grupo de Teatro do Grémio Dramático Povoense. 

No cartaz que acima se apresenta pode-se ver o nome dos actores e que a apresentação da peça resulta de um trabalho colectivo. O Grémio Dramático Povoense foi fundado em 1889, e tem uma valiosa tradição cultural. O seu trabalho tem a maior importância, até porque a Póvoa de Santa Iria é uma das freguesias do país com maior crescimento populacional, contando já com cerca de 30 000 habitantes.
Achei a representação de excelente qualidade, tendo obviamente em conta tratar-se de um grupo amador. De qualquer modo são pessoas que aparentam experiência e segurança. Souberam transmitir com convicção o drama íntimo dos três idosos cardeais, tendo o público demonstrado muito apreço pela representação.
Júlio Dantas nasceu em 15 de Maio de 1876 e faleceu em 25 de Maio de 1962. Como se vê, teria feito anos anteontem, e na próxima sexta-feira decorrem sessenta anos sobre a sua morte. Natural de Lagos, foi escritor, médico, político e diplomata. Nas letras praticou o conto, o teatro, o romance e a poesia. Foi presidente da Academia de Ciências de Lisboa, em 1922, e fundador da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, que haveria de dar lugar à Sociedade Portuguesa de Autores. 
Atribuiram a Júlio Dantas uma certa versatilidade política, por ao longo da sua carreira ter estado perto sucessivamente da monarquia, da república e do estado novo. Almada Negreiros escreveu a atacá-lo o Manifesto Anti-Dantas, que Mário Viegas tão bem declamou. Contudo, é inegável o seu grande talento literário, bem patente nesta peça curta, apresentada pela primeira vez, em 1902, no Teatro Dona Amélia, que, salvo erro, é hoje o Teatro Municipal São Luiz. Apresenta-se a seguir uma imagem de uma representação no Teatro Nacional D. Maria II, com Alves da Cunha, Assis Pacheco e João Villaret, de 1961.

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