D. FUAS – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 
Nazaré! Cá em baixo, no Largo, quem está de frente para o mar, do seu lado direito sai uma ruela que vai entestar contra o morro. Quem trepa por ele acima é apenas o elevador. Aliás elevadores, pois há dois que se revezam a subir e a descer. A meio curso fazem cortesias, um desvia-se para a direita, outro para a esquerda, cruzam-se, seguem os seus destinos. O barulho da casa das máquinas ainda o ouço, lá no alto. O óleo queimado ainda o cheiro. O túnel a varar a meia encosta, ainda o vejo.

A minha mãe era sobrinha do Padre Afonso. O meu pai estava internado no Sanatório do Caramulo. Nós morávamos lá em cima, no sítio (o Sítio!…) onde a Virgem deteve, frente ao abismo sobre a praia, o cavalo de D. Fuas Roupinho.  Ele perseguia um veado que, afinal, era o Diabo disfarçado de bicho manso, porém cornudo.

Debruçado sobre o muro, um dia o Padre Afonso segurou-me pela fralda da camisa e mandou que eu avivasse na rocha, com escopro e martelo, a marca da ferradura do cavalo de D. Fuas. E eu avivei.

 

Éramos, realmente, uma família muito piedosa…

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