O fim desta zona Euro tornou-se visível. Apenas o como e o quando chegará a sua dissolução é o que permanece incerto.
Um texto a partir de um outro, de Fabius Maximus de 6 de Junho de 2012
(continuação)
2. E quanto à acção mágica do Banco Central?
“Se ele está vivo ou morto não importa. Se ele está morto, vire-o para cima e coloque-lhe uns óculos escuros, ele gostam assim, como se passa no filme ‘Weekend at Bernie’ “.
— John McCain worshiping Alan Greenspan, 18 June 2009 (da cadeia de televisão CBS)
A situação europeia vive assim das respostas e dos interesses dos alemães a que toda a gente se tem subjugado. Dissemos em tempos que Merkle vive emparedada por uma cultura luterana e pelos homens do Bundesbank que terão possivelmente uma agenda própria, a de restaurar o Deutsche Mark e a soberania monetária alemã. Da Merkle e da sua política só neste quadro de restauração e de “renovação” do marco imperial é que se pode entender a sua política do não sucessivo pronunciado contra a Europa. Com efeito, é isso o que neste contexto consigo entender, e é na base desta agenda e na linha de Martin Wolf também, que se pode compreender o ponto de vista do governo alemão e das autoridades monetárias alemãs: não aos eurobonds para a zona euro; não ao aumento de fundos disponíveis para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (actualmente €500 mil milhões); não ao apoio comum para o sistema bancário; não a qualquer desvio da austeridade fiscal, inclusive na própria Alemanha; não a qualquer financiamento monetário dos governos; não a qualquer flexibilização da política monetária da zona euro; e não também a nenhum poderoso boom de crédito na Alemanha. O país credor, em cujas mãos está a solução para a saída da crise, está a dizer “nein” pelo menos sete vezes.” È o que sabe dizer e fazer. Em nome de quê, com que objectivo? Só vemos a hipótese da agenda dos homens fanáticos do Bundesbank acima enunciada. Só assim se pode entender a política alemã. Os mercados de capitais, os nossos grandes caçadores, já o parecem ter entendido quando investem milhões em títulos públicos a taxa ZERO! Possivelmente à espera da queda do euro, da hipervalorização do marco a seguir e depois a receber os ganhos consequentes.
Os nossos políticos, os nosso principais eleitos, têm vindo a confiar na acção da política dos bancos centrais como sendo a sua muleta, como uma desculpa para evitarem fazer as mudanças necessárias na política nacional. A política de regulação monetária e o Banco Central podem fazer muitas coisas, mas para se terem efeito benéficos a longo prazo esta política deve fazer parte de um pacote mais vasto de regulação económica, de políticas fiscais e orçamentais também, como assim o entende Bernankee e a sua equipa, mas como não o entendem assim os homens do Bundesbank e da Comissão Europeia. Diz-nos Bernankee:
“Normalmente, as políticas monetária e orçamental são em primeiro lugar destinadas a promover um mais rápido ritmo na recuperação económica no curto prazo. E não se poderia esperar que venham a afectar de modo significativo o comportamento da economia e os seus resultados, a longo prazo . No entanto, as circunstâncias actuais podem ser consideradas uma excepção ano relativamente à ideia normalmente aceite – a excepção a que aludi anteriormente. A nossa economia está a sofrer hoje de um nível extraordinariamente elevado de desemprego de longa duração , com quase metade da dos desempregados a estarem nesta situação há mais de seis meses. Sob estas circunstâncias claramente fora do comum, as políticas que promovam uma recuperação mais forte no curto prazo podem servir também os objectivos de longo prazo. No curto prazo, colocar as pessoas de volta ao trabalho significa reduzir as grandes e duras dificuldade infligidas pelas difíceis tempos que a economia atravessa e ajuda a garantir que a nossa economia venha a estar a produzir ao nível do PIB potencial em vez de estar a deixar por utilizar os nossos recursos produtivos. No longo prazo, com a minimização da duração do desempego apoia-se a criação de uma economia saudável evitando-se, por isso mesmo, alguma erosão das capacidades e dos saberes assim como se evita a perda da inserção do trabalhador no trabalho e na sociedade, perda esta que está frequentemente associada ao desemprego de longa duração.
Não obstante esta observação, que aumenta a urgência para a necessidade de alcançar uma recuperação cíclica do desemprego, a maioria das políticas económicas que sustentam uma taxa de forte crescimento económico sustentado no longo prazo estão fora do alcance do banco central. Nós temos estado agora a assistir a grandes discussões sobre a política fiscal federal nos Estados Unidos, por isso vou fechar com algumas ideias sobre o assunto, centrando a nossa atenção no papel da política orçamental na promoção da estabilidade e do crescimento. (…)
Felizmente, os dois objectivos que são o de alcançar a sustentabilidade orçamental – que é o resultado de políticas responsáveis postas em prática e em termos de longo prazo – e o de evitar a criação dos ventos orçamentais contrários à recuperação económica, estes dois objectivos não são incompatíveis. Agir agora para por em prática um plano que assegure a redução dos défices a longo prazo ao mesmo tempo que se está atento às implicações das escolhas orçamentais para a recuperação a curto prazo, pode ajudar a servir ambos os objectivos.
Os decisores das políticas orçamentais também podem promover um mais forte desempenho económico através da concepção de políticas fiscais e de programas de despesa pública. Na medida do máximo que lhes for possível, as nossas políticas fiscais e das despesas devem levar a que se aumentem os incentivos para trabalhar e para poupar, devem incentivar os investimentos na formação e no aumento das capacidades da nossa força de trabalho, devem estimular a formação de capital privado, devem promover a investigação e desenvolvimento e devem igualmente fornecer as infra-estruturas públicas necessárias. Nós não podemos esperar que a nossa economia vá fazer a sua trajectória de crescimento a prazo para lá dos nossos desequilíbrios, mas uma economia mais produtiva facilitará a que se encontrem as linhas de compromissivo possíveis que enfrentamos actualmente. (…)
Os decisores das políticas económicas enfrentam uma série de decisões difíceis, relacionadas com ambos os desafios que enfrentamos, os de curto e os de longo prazo. Não tenho dúvidas, porém, que as respostas a estes s desafios serão encontradas e que as forças fundamentais da nossa economia irão, finalmente, reafirmarem-se.”
Além disso, os banqueiros centrais têm todos eles muito pouca legitimidade. Especialmente em tempos conturbados. Os banqueiros não são eleitos, eles são inerentemente antidemocráticos e tornam-se facilmente alvos para a raiva pública. Isso torna-os ainda menos interessados do que é habitual nas acções decisivas em que do ponto de vista das classes dominantes se podem queimar. Exemplo disso entre tantos veja-se a regulação do Banco de Portugal sob a égide de Vitor Constâncio que a ser remunerado com valores puramente astronómicos para o quadro português só nos sabia falar em austeridade e o resto , esse, viu-se, vê, pagamo-lo nós agora. Mais curioso agora vem Alberto Costa dizer-nos que não havia quadros de qualidade capazes de fazer a supervisão. Responsabilidade de quem? De um modelo, de um opção política quanto ao modelo seguido, a desregulação dos mercados, nada mais mas disso os agentes que assumiram estas opções devem ser responsabilizados, responsabilizados pelo que assumiram ou pela calada e pela comodidade , pelo que consentiram.
Além disso, eles tendem a ter formação técnica e uma formação teórica muito limitadas. O dinheiro não é Deus, mesmo quando aquele é adorado, ou quando Este é desprezado ou a sua mensagem é para as urtigas enviada. O conhecimento do dinheiro representa muito pouco para que se faça uma política pública verdadeiramente eficaz na terra ou para se obter as chaves para o céu e quando assim é o mais provável é ganharem as chaves que dão o acesso ao inferno, como o iremos tentar mostrar.
(continua)
