O fim desta zona Euro tornou-se visível. Apenas o como e o quando chegará a sua dissolução é o que permanece incerto.
Um texto a partir de um outro, de Fabius Maximus de 6 de Junho de 2012
(continuação)
2. E quanto à acção mágica do Banco Central?
Curiosamente e pela mão de John Eatwell e na base de dois documentos oficiais do próprio governo inglês, não sujeito ao espartilho imposto ao euro, vem uma imagem tão ou mais dura que os dados da economia francesa. Sobre os trabalhos feitos no âmbito da preparação do Programa de Estabilidade e crescimento diz-nos Lorde Eatwell:
A questão que temos hoje pela frente é bem simples: está a austeridade a garantir a recuperação? Está ela a garantir uma eliminação eficaz desse défice e a construir fortes alicerces para o crescimento futuro?
A resposta a estas fundamentais questões pode ser encontrada no relatório de OBR (Office for Budget Responsibility) que acompanha o programa de convergência e na verdade está consubstanciado no relatório de convergência. O OBR ressalta que o programa de austeridade simplesmente não resulta apenas numa perda de produção durante os próximos cinco anos ou assim, mas dele resulta também uma perda permanente do potencial produtivo da economia, prejudicado este pela falta de investimento na capacidade produtiva e pela erosão das competências entre a geração perdida dos desempregados de hoje. O relatório OBR não poderia ser mais claro ao afirmar que
“as nossas estimativas sobre o crescimento potencial implicam uma perda significativa e persistente do PIB potencial em relação a tendência existente antes da crise… As nossas estimativas para 2011 implicam uma perda no PIB potencial de cerca de 8 por cento… Esta quebra alarga-se para cerca de 11 por cento em 2016 “.
A perda permanente do PIB potencial [1]também resulta numa perda permanente de receita potencial para o governo e, portanto, piora o défice, adensando ainda mais a austeridade imposta pela coligação. Como argumenta o OBR,
” a diferença no PIB determina a componente ‘estrutural’ ou cíclica do défice. Uma diferença negativa ainda mais profunda no PIB significa que maior será a parcela do défice a desaparecer automaticamente com a retoma da economia, subindo os rendimentos e reduzindo a despesa “
Como mostra o gráfico 6.7 no relatório, a diferença no PIB está a ser reduzida, o PIB potencial está a ser reduzido pela própria recessão . Assim de acordo com o OBR, a política de austeridade está ela própria a reduzir o impacto benéfico que o crescimento mais tarde pode ter sobre a eliminação do défice. Dito de outra forma, se a taxa de crescimento da economia for agora estimulada, se a política de austeridade estiver para ser abandonada, não só crescimento poderá agora ser maior, mas a produção a longo prazo da economia seria permanentemente maior, e o potencial para reduzir o défice será reforçado.
No gráfico acima, estima-se que o output gap no quarto trimestre de 2011 foi de (‑2,5) por cento do PIB, com exclusão do petróleo, e será de (‑0,4) por cento em 2016-17. A estimativa do output gap no final de 2011 é ligeiramente mais reduzida do que em Novembro.
A essência da poderosa análise do relatório de OBR contra a política de austeridade do governo é o ponto de partida de um estudo sobre a eficácia da política de estímulos orçamentais apresentado pelo Professor Larry Summers, da Universidade de Harvard, antigo Secretário de Estado do Tesouro americano. Num importante documento, em co-autoria com o Professor DeLong, da Universidade da Califórnia, Berkeley, apresentado pela Brookings Institution, um dia antes do Chanceler ter apresentado o seu orçamento, o Professor Summers fornece estimativas empíricas sobre o impacto a longo prazo provocado quer pela austeridade quer alternativamente pelas políticas de estímulos orçamentais. Summers demonstrou que nas condições atuais de depressão económica uma expansão orçamental ir-se-ia pagar por si mesma, aumentando o PIB potencial permanente e OBR sublinha que iria gerar maiores receitas a longo prazo para o governo. Mas nada disto diz seja o que for aos senhores da troika, aos senhores de Bruxelas, que mais parecem ter uma ajuda bem específica: destruir o modelo social europeu.
[1] Output gap é a diferença entre a produção efectiva em cada momento do tempo e o nível potencial nesse mesmo momento e consistente com a estabilidade da taxa de inflação a longo prazo. Naturalmente, em recessão, o output gap é negativo e é positivo nas fases de forte expansão.


