12. Edição do álbum “Margem de Certa Maneira”, de José Mário Branco; é o segundo álbum de José Mário Branco, que sai em Dezembro de 1972, com selo da Guilda da Música/Sassetti; tal como sucedera com “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, o laboratório sonoro foi o Strawberry Studio, de Michel Magne (Chateau d’Hérouville, Paris), por onde tinham passado grupos como The Beatles, The Rolling Stones e Pink Floyd; em “Margem de Certa Maneira” podem ouvir-se de novo o baixo eléctrico de Christian Padovan e as percussões de Michel Delaporte, dois músicos franceses que, em 1971, sob a batuta de José Mário Branco, tinham contribuído para a inesquecível sonoridade do álbum “Cantigas do Maio”, de José Afonso; no elenco de participações figuram também Denis Lable (guitarra acústica), Adriano Correia de Oliveira (coros), Mário Jorge (coros e palmas), Manuel Jorge Veloso (órgão, coros e palmas) e Isabel, então mulher do cantor (coros); os arranjos e direcção musical estiveram a cargo do próprio José Mário Branco, igualmente autor de todas as letras e músicas, excepto quando indicado: “Por Terras de França”, “Engrenagem”, “Aqui Dentro de Casa”, “Margem de Certa Maneira”, “Cantiga da Velha Mãe e dos Seus Dois Filhos (Mãe Coragem)” (letra de Sérgio Godinho), “Sant’Antoninho” (música de Jean Sommer), “A Morte Nunca Existiu” (letra de António Joaquim Lança) e “Eh! Companheiro” (letra de Sérgio Godinho);
13. Edição do álbum “Eu Vou Ser como a Toupeira”, de José Afonso;«Continuação lógica de “Cantigas do Maio”, este disco surge numa fase de grande empenhamento político de Zeca – que pouco tempo depois o levará novamente à prisão de Caxias. Apresentado como um trabalho de grupo, com colaborações de Benedicto García, Carlos Alberto Moniz, Carlos Medrano, Carlos Villa, Ernesto Duarte, José Dominguez, José Jorge Letria, José Niza, Maite, Maria do Amparo, Pedro Vicedo, Pepe Ébano e Teresa Silva Carvalho. Praticamente impedido de cantar em Portugal, Zeca apresenta-se ao vivo em Espanha e em França e tenta dar conta, em disco, do que por cá se passa. Prenúncios da mudança que se avizinhava são temas como “Ó Ti Alves” ou “É para Urga” . Mas, enquanto o dia novo não chega, Zeca continua a cantar a cólera e o desespero colectivos, através de momentos musicais inesquecíveis como “A Morte Saiu à Rua” (dedicado a José Dias Coelho, assassinado pela Pide em 1961) [videoclip e “Por Trás Daquela Janela” (escrito para Alfredo Matos, antifascista do Barreiro que se encontrava preso), ao mesmo tempo que ironiza com a cadavérica memória salazarista (“O Avô Cavernoso”), faz novos apelos à luta (“Fui à Beira do Mar”, “Eu Vou Ser Como a Toupeira”) e se diverte com o aparente “non sense” de Fernando Pessoa (“No Comboio Descendente”), afinal a imagem perfeita de um certo “laissez faire” tão tipicamente lusitano.» (Viriato Teles); para perfazer os 10 temas do alinhamento falta referir “Sete Fadas me Fadaram (com texto do pintor António Quadros) e a tradicional “Ó Minha Amora Madura” , um dos mais extraordinários e cativantes exercícios de minimalismo em círculo melódico da música portuguesa: partindo de apenas quatro versos, José Afonso consegue dar-nos 2 minutos e 18 segundos de música sem que sintamos a mais pequena sensação de cansaço ou aborrecimento;
