O caminho indicado não é o caminho para o céu mas sim para o Inferno, o inferno da fome e da precariedade para muitos milhões de pessoas. Alguns retratos desse caminho.
- Retratos sobre a reconfiguração dessa via rápida para o inferno, retratos dos mercados mundiais do trigo e da soja.
Veja-se a evoluçãoesperada para o preço da soja, variação essa que é expressa pela diferença entre os preços dos contratos sobra a soja a entregar em Março do próximo ano e o preço dos contratos sobre a soja a entregar em Novembro. Essa diferença tem vindo a crescer e tornou-se explosiva agora em Julho.
A) A evolução esperada sobre o preço da soja
E a conclusão a tirar é que tal como o trigo, os preços da soja estão a furar o telhado e irão furar o estômago de muita gente. A evolução sobre o trigo é ilustrada em baixo. No gráfico abaixo, sublinhem‑se os picos dos preços, em meados de 2008, e quem não se lembra da marcha da fome (?) o pico de meados de 2011 e quem não se lembra da subida do pão e a crise a apertar e agora em 2012 já ultrapassopu o valor trágico de 2008. Quem desse tempo não se lembra de um popular do Haiti que respondeu a um oficial da ONU: mais vale morrer sob as balas da ONU do que morrer de fome ?
B) A evolução do preço do trigo
Estamos a falar de preços internacionais que se sentirão nas nossas bolsas em breve e à escala mundial.
II- De Espanha as notícias dos mercados são bem tristes e mostram que a Espanha está materialmente à beira da implosão .
1. O spread das taxas de juro materialmente impossível de aguentar :
- Uma economia em queda livre dos seus mercados
A) O edifício da Bolsa
B) A queda da Bolsa em Espanha
III O caminho seguido pelos capitais – da periferia para os países mais fortes.
Este gráfico é espantosamente claro. Os títulos a 2 anos na Alemanha, França, Áustria, Holanda, Finlândia e Bélgica estão todos eles a caminho de zero a denunciar as fortes fugas de capitais para estes países. Especulação, especulação sobre quê? O leitor que pense nisto. Os capitais fogem dos países periféricos à procura de portos de abrigo e até no curto prazo enquanto aguardam melhores dias pagam taxas para aí estarem guardados!!! Veja-se com atenção o movimento dos rendimentos para o caso belga. Ainda há um ano estavam estes títulos a render 5% e veja-se agora, em que a taxa é vizinha de zero! O sinal da enorme fuga de capitais vinda dos países ditos periféricos tem pelo lado da Bélgica uma boa exemplificação do que se está a passar pois a compra de títulos ou a baixa dos seus rendimentos são um bom espelho disso mesmo.
A convergência para o Zero!
IV) A Europa a ficar a caminho de uma profunda recessão onde o seu “motor”, a economia alemã, parece estar a seguir o caminho do Japão, tanto quanto apenas invade o mercado de liquidez, liquidez banco central, não liquidez privada. Em paralelo às fortíssimas politicas de austeridade e de desregulação dos mercados de trabalho, significa que por aqui o crescimento não será encontrado, não! Estamos a caminho dos anos 30 do século XX, disso não haja dúvidas se não derrubamos os governos europeus queneste momento a Europa estão a querer destruir.
A caminho do bloqueio total.
V. Longe do mar, longe das grandes tempestades, longe dos grandes ventos, no mais seguro dos paraísos fiscais onde até nem há mar.
Mas a fuga de capitais quando é basicamente operada pelas grandes fortunas procura portos muito mais abrigados, de viagem mais custosa mas mais lucrativa, onde nem o vento forte nem o mar encapelado podem chegar. No caso presente e mais há mão , que melhor porto que a Suiça onde nem sequer há mar? Os reflexos das entradas maciças de capitais na Suiça vêem-se no gráfico abaixo:
A base monetária da Suíça a crescer dramaticamente para comprar euros, para vender francos suíços, para não deixar valorizar em excesso o franco suíço e sem se proibir a fuga de capitais, porque pura e simplesmente isso é mercado.
Suiça
E a legenda é bem curiosa:
O Banco nacional suíço (BNS) continua a “imprimir” francos suíços (CHF) em resposta ao afluxo de capital que está a sair da zona euro. Como os residentes da zona euro trocam euros por francos suíços, os CHF, o BNS compra estes euros em troca de francos suíços, que vende aos residentes europeus em troca dos seus euros. Estes euros são pagos com (os recentemente francos que para o efeito se “imprimiram”) para assim manter a taxa de câmbio ancorada de 1,2 CHF por euro . Como resultado, a base monetária da Suíça disparou para registar agora (CHF 274 mil milhões ) como se ilustra acima.
VI) E a recuar no tempo, a caminho dos anos 30. Desses tempos, três retratos, três imagens que não desejaríamos nunca mais ver repetidas e em que a última imagem, Deus meu, não sei se é de ontem se é ou será de amanhã:
O desemprego na Alemanha disparou em 1930 e continuou claramente a subir ao longo dos anos de 1931 e de 1932.
E por fim :
E fujamos deste pesadelo.












