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O Dia da Galiza Mártir celebra-se a 17 de agosto, em homenagem ao político galeguista Alexandre Bóveda, assassinado a 17 de agosto de 1936, na Caeira (Poio), pela defesa da liberdade e dos seus ideais.
Alexandre Bóveda Iglesias, nascido em Ourense a 4 de junho de 1903 e fuzilado no monte da Caeira, en Poio, a 17 de agosto de 1936, foi um dos intelectuais galeguistas mais relevantes da Segunda República espanhola, na Galiza, chegando, nas palavras de Castelão, a ser o motor do Partido Galeguista.
En 1936 participou na campanha eleitoral como candidato da Frente Popular por Ourense. A 20 de julho de 1936 foi detido após o “alzamento nacional”, acusado de traição foi condenado à morte a 13 de agosto e executado a 17 de agosto.
Na madrugada do dia do seu fuzilamento escreveu várias cartas, a derradeira das quais dizia:
Madrugada do 1.936
Querido Vitín:
Non sei si fixen ben ou mal en procurar que me axudases con proveito. En calquera caso foi con desexo do teu ben.
Eu morro tranquío; confío en que serei recibido donde todos queremos xuntarnos e fagoo con ledicia e confiando en Deus iste sacrificio. Quixen facer ben, traballei por Pontevedra, por Galicia e pola República e o trabucado xuicio dos homes (que eu perdoo e todos debedes perdoar) condéname.
Sé agora máis home que endexamais porque é cando máis o precisas, polos nosos vellos e polos nenos, de quen, sin que puidéramos esperalo, vas ser un pouco pai.
Confórtaos a todos e procura ser sempre bon. Non te arrepintas de canto ben teñas feito e podas ainda facer.
Vitinciño: Aos papás, a Vera, a Carlos, a Cesar, a todos, as miñas apertas.
Pra ti, irmanciño bon, a máis grande que poidas recibir de Alexandre.
P.S. / Rezai por min que eu lembrarei-vos sempre e (se podo, como espero) intercederei por vós. -ás 5 e 1/4.


Obrigado: é bom citar essa carta: Bóveda era católico, crente e praticante: o seu assassinato expõe clarissimamente a hipocrisia do fascismo espanhol, que conseguiu convencer a certos setores da Europa conservadora (Salazar entre eles) de que ele só se alçara contra o comunismo ateu: de facto ele fuzilou também curas, na Galiza, na Catalunha, no País Basco, como no resto do Estado Espanhol. Ah, e fuzilou tb generais e outros oficiais do Exército e da Armada, cobardemente na retaguarda, não no campo de batalha, pelo “delito” de permanecerem fiéis à República.
Não esqueceremos!
Carlos
Franco era um pequeno gangster, que ascendeu pela sua crueldade e por sujar as mãos.
Como muitos outros pequenos gangsters e ditadores a sua pequenez, infelizmente, faz com que sejam ainda mais brutais e perigosos.