MANIFESTO CONTRA A PASSIVIDADE! É O EXIGIDO PARA QUE SE PRODUZA O NOVO DOCUMENTÁRIO DE TIAGO PEREIRA por clara Castilho

 

“Cantam as filhas da Rosa” é um projecto de documentário do realizador Tiago Pereira que, incidindo sobre um instrumento tradicional do Alentejo – a Viola Campaniça -, pretende uma consciencialização da opinião pública portuguesa quanto à existência e valor único do seu património imaterial.

Neste trabalho procura-se descobrir, recolher e transmitir a história da Viola Campaniça, bem como dar a conhecer as práticas musicais e os contextos socio-culturais de que foi e é ainda protagonista. Fabricantes, estudiosos e tocadores (velhos, novos e re-inventores da tradição) são chamados a tomar parte na construção de um acervo audiovisual dedicado a este instrumento, que se pretende quanto completo quanto possível.

Propõe-se no subtexto deste documentário contribuir para uma progressiva mudança da forma negativa como a cultura popular de raiz tradicional continua a ser pensada, dando a conhecer um universo muito mais rico e singular nas suas características do que o distante olhar urbano em geral pressupõe ou admite.

Sem apoios institucionais, a opção pelo crowdfunding surge da urgência em registar e compilar as práticas musicais protagonizadas por este instrumento. A campanha de angariação de fundos permitirá envolver a comunidade, dando-lhe um papel activo na salvaguarda do seu património.

A Massivemov foi a plataforma escolhida para realizar a campanha, que pretende angariar €9000 até dia 12 de Outubro, para que o filme possa estrear ainda este ano, tanto em sala como no Canal 180 (canal de televisão open source especializado em cultura e criatividade). Este valor cobrirá as despesas de produção, realização, montagem e mistura. Todos os apoiantes serão mencionados no genérico do filme, estando prevista a possibilidade de assistir à rodagem para os que contribuírem com os montantes mais elevados.

Toda a pesquisa para este documentário está já feita pelo Pedro Mestre que tem desde sempre dinamizado este instrumento. Também algumas gravações já foram realizadas e podem ser vistas no site da música portuguesa a gostar dela própria

Realizador, videasta, mentor e coordenador do site “A música Portuguesa a gostar dela própria” e vencedor do prémio Megafone, Tiago Pereira tem desenvolvido em estilo único a documentar, recolher e misturar imagens em movimento. Os seus filmes transdisciplinares remetem para manifestações de cultura imaterial como a música, rituais e performances, procurando sempre novos usos da tecnologia e novas abordagens à cultura popular e ao tradicional. Na sua já vasta lista de trabalhos destacam-se os premiados 11 burros caem no estômago vazio e Quem canta seus males espanta ou os mais recentes Sinfonia Imaterial, Vamos tocar todos juntos para ouvirmos melhor e Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu.

Pedro Mestre, músico alentejano que se tem dedicado à recuperação e divulgação da Viola Campaniça, será responsável pelo trabalho de pesquisa no terreno. Algumas gravações já foram realizadas e podem ser vistas no site da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria.

Este projecto pode ser seguido em http://www.facebook.com/CantamAsFilhasDaRosa

Depois do mais recente filme – “Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu” – , sobre um baile açoriano, ter sido bem recebido por onde passou e estar em fase de tradução para chegar à comunidade luso-descendente no Canadá, o realizador português e criador do projecto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” (MPAGDP) está agora voltado para o instrumento que desempenha um papel fundamental no cante alentejano.

Tiago Pereira não tem dúvidas ao apelidar a realização de um documentário sobre a viola campaniça como “urgente”: as pessoas que sabem construir e tocar o instrumento e que estão por dentro da sua história estão a chegar ao fim da vida. O realizador quer “alfabetizar a memória” e, para isso, procura “uma consciencialização do público para a necessidade de criar uma memória colectiva musical portuguesa”.

“Queremos mostrar o património que as pessoas não conhecem, para o qual estão de costas voltadas. E o património é nosso, é de todos”, remata.

 

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