DIÁRIO DE BORDO de 31 de Agosto de 2012

O Movimento dos Não-Alinhados está reunido em Teerão.

Este movimento foi criado em 1955, em Bandung (Indonésia) e surgiu como reacção ao aparecimento, no rescaldo da II Guerra Mundial, de dois blocos político-militares – o bloco liderado pelos Estados Unidos e o que era encabeçado pela União Soviética. O movimento pretendia manter uma posição neutra perante a Guerra Fria que as duas superpotências e respectivos apaniguados travavam entre si.

Não é possível imaginar, no contexto histórico actual, o papel importante que o movimento assumiu no apoio às lutas pelas independências nacionais que muitos países do chamado Terceiro Mundo moviam contra as potências coloniais. Figuras como Nasser, Sukarno, Tito, Chu En-Lai e Nehru, que presidiu, patrocinaram a primeira Cimeira em que o principal tema foi a denúncia da corrida aos armamentos por parte dos Estados Unidos e da União Soviética.

Hoje a agenda desta XVI Cimeira, que reúne vinte e nove chefes de Estado e outros representantes de 120 países, irá por certo privilegiar o combate à pobreza, o desenvolvimento económico e, principalmente, a adopção de medidas que permitam evitar a guerra que os Estados Unidos e seus aliados europeus parecem apostados em desencadear. O país anfitrião, a pretexto dos perigos do seu programa nuclear, é um dos alvos dos  americanos. Os perigos decorrentes do indesmentível  arsenal nuclear israelita, não são referidos – mas o hipotético arsenal iraniano é uma ameaça para a paz mundial… De facto, quem manda pode defender as teses mais absurdas – terá sempre «razão».

O Movimento dos Não-Alinhados, não tendo já a importância que assumiu nos anos 50 e 60, representando 55% da população mundial, pode ainda ter um papel relevante na denúncia das manobras norte-americanas para isolar o Irão e repetir o que fez no Iraque.

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