DIÁRIO DE BORDO, 1 de Setembro de 2012

 

Parece que vamos ter de aturar mais um conflito interno europeu. E trata-se, mais uma vez, de um conflito relacionado com a banca. Parece que a Comissão Europeia (vejam o Eurointelligence de ontem), onde pontifica (pelo menos de vez em quando aparece a dizer umas sentenças) o nosso bem conhecido compatriota Durão Barroso, anda com a ideia de uma pôr em prática uma supervisão comum para a banca europeia, que abrangeria nada menos que 6000 bancos sistemicamente relevantes (aguentem-se com o dialecto bancário, comecem a falar como o Gaspar ou o Teixeira dos bancos, perdão, dos Santos).  E consta que os alemães da CDU (o partido da Merkel, pois claro) estão fulos, porque a tal proposta, se um dia por acaso avançasse, iria afectar uma data de banquinhos, mútuas, caixas,  que lá têm, que só sobrevivem graças às vistas grossas da supervisão.

Quer dizer, fartam-se de dizer mal do Sul, mas quando lhes bate pela porta, não querem ninguém a chatear. Mas bem vista a história, não se percebe tanto problema. Quem iria fazer a tal supervisão? A tal regulação? Provavelmente o BCE. O BCE? Não foi para aí que mandaram de castigo o Vítor Constâncio, o tal que ganhava aqui no Banco de Portugal mais que o Bernanke (não é assim que se chama o Presidente da Reserva Federal americana?)? Sim que o Vítor foi para lá de castigo, não foi? Mas será que foi promovido?

Desculpem tanta questão, mas é que assim Diário de Bordo acha que os tais banquinhos, mútuas, caixas lá da Alemanha não têm muito que temer. E que o Durão Barroso, se a ideia foi dele, anda mais uma vez a reinar connosco.

Que é preciso meter os bancos na ordem, é evidente. Mas não vai ser enquanto os organismos europeus e nacionais estiverem entregues a pessoas como estas, nomeadas pela oligarquia que gere o sistema capitalista, que isto vai acontecer. Esta aparente racionalização do sistema bancário, que resulta da tal ideia/proposta da Comissão Europeia, será talvez um passo no caminho da Europa Federal, que parecem querer promover para nos convencerem de que com uns propalados avanços políticos (é o que lhe vão chamar), teremos uma vida mais estável e mais segura. Mas vida melhor só para quem for ocupar os novos lugares a criar, para ir fazer companhia ao Durão Barroso e ao Vítor Constâncio. Vamos a ver se convencem os alemães a deixarem cair umas migalhas.

 

 

 

 

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