Luiza Neto Jorge – Portugal
( 1939 – 1989 )
MINIBIOGRAFIA
Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! Do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.
Agora adoeço, envelheço, esqueço
Oquanto a vida é gesto e amor é foda:
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.
E se a neve vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso
.
Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor
(da revista “Pravda”, final de 1988)
A sua poesia carcterizou-se sempre pela transgressão como voz desolada mas agressiva contra o senso comum. Estreou-se com “Noite Vertebrada” (1960), distinguindo-se depois entre o grupo de poetas de “Poesia 61” com o livro “Quarta Dimensão”. Publicou a seguir: “Terra Imóvel” (1964), “O seu a seu Tempo” (1966), “Dezanove recantos” (1969), “Os Sítios Sitiados” (1973). O livro “A lume” (1989) foi publicado postumamente. “Minibiografia” parece ter sido o último poema que escreveu.

