VACINA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

Lembro-me  que  nos  anos 50 um  grupo  de  estudantes,  branquelas como eu… Coados como eu, dirias tu… Pois nós, os branquelas ou coados, fazíamos grandes patuscadas com a malta da Casa dos Estudantes do Império. Chamava-se assim mesmo, foi antes do Salazar crismar as colónias com o nome de Províncias Ultramarinas…  Pois eram o Amílcar Cabral e o Vasco Cabral, da Guiné; o Marcelino dos Santos, de Moçambique; o Agostinho Neto e o Mário Pinto de Andrade, de Angola; o Orlando da Costa, de Goa; a Alda Espírito Santo, de S. Tomé e tantos outros… Toda a gente achava que era muito bonito e prova de alma grande, sermos assim amigos de uma troupe de escarumbas… Digo-te mais: o nosso empenho contra o salazarismo, entre outras coisas acabou por ser também a nossa vacina anti-racista. 

                                                                                                                                                                                                                In LIANOR

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