Além das duas centrais sindicais espanholas – Comisiones Obreras (CCOO) e Unión General de Trabajadores (UGT) – existem no estado espanhol outras forças sindicais, tidas por mais radicais e de pendor nacionalista, ativas nos territórios das suas nacionalidades; como a Confederação intersindical Galega (CIG), na Galiza, a Coordinadora Unitària Sindical de Catalunya (CUSC), na Catalunha, ELA e LAB, no País Basco, e o Sindicato Andaluz de Trabajadores (SAT), na Andaluzia.
Nos últimos tempos, pelas ações públicas realizadas, o SAT aumentou a sua notoriedade e apoio.
Foram especialmente faladas as iniciativas do SAT em que ‘expropriaram’ alimentos de primeira necessidade de supermercados que entrgaram a ONGs para serem distribuídas a pessoas e famílias consideradas carenciadas.
O SAT organizou também na Andaluzia uma marcha de trabalhadores contra o desemprego e os cortes orçamentais, que em 23 dias percorreu 300 km, de Jódar a Sevilha, e contou nos vários pontos do percurso – ao longo do qual foram organizados protestos e ocupações – com a participação de cerca de 15 mil pessoas e apoios nas localidades por onde passou.
Ato final da etapa de Sevilha da marcha “Andaluzia de pé”:
Nas palavras de Pepe Martínez, membro da direção do SAT, numa entrevista de Setembro de 2007, o SAT é apresentado como um sindicato andaluz, de classe e alternativo, de luta:
O que representa o nascimento do SAT no panorama sindical andaluz?
Estamos convencidos de que a criacão do SAT vai representar uma mudança importante no seio do movimento operário andaluz. Em tempos caracterizados pelo “entreguismo” sindical, a nossa mensagem de luta, de denúncia e de honradez vai ser uma referência que, estamos certos, atrairá muitissimos trabalhadores e trabalhadoras e contribuirá de forma determinante para uma progressiva recuperação da consciência de classe e de luta na Andaluzia.
Como o definirias ideologicamente?
Os nossos estatutos definem- nos como un sindicato andaluz, de classe e alternativo. No seu seio convivemos trabalhadores e trabalhadoras que, dum ponto de vista ideológico, temos diferentes afiliações (comunistas, anarquistas, nacionalistas, etc.), mas todos e todas coincidimos plenamente na necessidade dum modelo sindical de luta, que não pactue, solidário e muito comprometido com todas as lutas políticas e sociais que se relacionem com as necessidades e os direitos da classe trabalhadora do nosso país, incluindo, naturalmente, os direitos nacionais do povo andaluz e o direito de autodeterminação.
Há também que destacar que não nascemos para contribuir para o reforço do modelo de produção capitalista, nem para estabelecermos como meta exclusiva a melhoria do valor de troca da força de trabalho. Nascemos também, e que isto fique muito claro, para contribuir para o desmantelamento deste modelo económico e político e para lutar em prol duma sociedade onde não exista a propriedade privada empresarial e onde trabalhadores e trabalhadoras sejamos os únicos protagonistas do nosso presente e do nosso futuro em todos os âmbitos.


