DIÁRIO DE BORDO, 27 de Setembro de 2012

 

Enquanto os países europeus se debatem numa crise sem fim, que só conseguirão ultrapassar quando se decidirem a introduzir alterações profundas nos sistemas políticos em que vivem, que permitam aos seus cidadãos uma vida mais democrática e equilibrada, no resto do mundo observam-se sinais preocupantes de ressurgimento de velhos conflitos e rivalidades, e de nascimento de novos. Hoje em dia, fala-se, a propósito de tudo e nada, em não hipotecar o futuro dos nossos filhos, sobretudo quando se está a fazer exactamente o contrário. É que o futuro, a todos os níveis, parece cada vez mais complexo, e que o legado aos nossos herdeiros não vai ser nada positivo.

Em Portugal parece querer intensificar-se a luta contra o mau governo que nos caiu em cima, que na verdade se seguiu a outros governos igualmente maus, mas que o actual parece querer ultrapassar, em atropelos e incompetência, de toda a maneira e feitio. Para se conseguir ter êxito é necessário cada vez mais ter ideias claras sobre os objectivos a procurar e os meios a utilizar. Esse debate é notoriamente dificultado pela má prestação derivada da escassez de informação credível, muito por causa das deficiências da nossa comunicação social, no que respeita à televisão, em primeiro lugar. Para se conseguir ultrapassar os bloqueios existentes, será necessário, entre outras coisas, conseguir uma distribuição eficaz dos jornais, revistas, etc., que são regularmente lançadas por diversas entidades de diferentes quadrantes, mas cuja vida é, a maior parte das vezes, curta, devido a vários factores, entre os quais avulta um, que causa grandes dificuldades, o da distribuição comercial. Os jornais e revistais vão para o sector comercial, para com o produto da venda tentarem minorar os seus custos. Ora boa parte do produto das vendas fica na mão das distribuidoras que dominam o mercado, as quais fazem selecção entre quem distribuem, invocando critérios comerciais ou outros.

O acesso à informação e o debate de ideias são cada vez mais necessários. A internet não consegue resolver todos os problemas, até porque é cara e um número considerável de pessoas continua a não lhe ter acesso, ou só lhe têm acesso em condições difíceis. Nem toda a gente tem computador, ao contrário do que alguns pensam. Outros esquecem as dificuldades que muitos sentem em tornear as dificuldades no manejo dos programas e sistemas operativos, característicos de um país que, apesar de todos os progressos havidos, ainda tem um atraso significativo na instrução e na tecnologia.

Nestes campos, tem-se esquecido o papel relevante a desempenhar pelas autarquias. Já têm feito algum caminho, mas terão de fazer muito mais neste capítulo, enfrentando dois grandes obstáculos: as reformas centralizadoras (será Passos Coelho um émulo de Costa Cabral?) e o caciquismo local que continua a vigorar sob várias formas.

 

 

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