Foz Tua. Ambientalistas pedem ao Presidente da República pressão para suspender barragem
Um grupo de ambientalistas foi hoje pedir ao Presidente da República para pressionar o Governo a suspender a barragem de Foz Tua enquanto a UNESCO não decidir se o património do Douro Vinhateiro está em risco devido às obras.
“Gostaríamos que o Governo, depois de todo este processo junto da Unesco e enquanto se aguarda a decisão final relativamente à classificação do Douro Vinhateiro como património mundial, de forma preventiva, suspenda a obra até pelo menos se saber qual o resultado dessa avaliação por parte da UNESCO” (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), disse o presidente da associação Quercus, Nuno Saraiva, no final de uma audiência dos ambientalistas com Cavaco Silva, em Lisboa.
Entre os argumentos apresentados pelos ambientalistas estão “a inutilidade e a falta de racionalidade económica desta barragem”.
“Estamos a falar de um impacto brutal, desde logo em termos sociais. Estamos a falar da degradação de um modo de vida, estamos a falar da afetação do vinho do Porto, que é a razão de ser do Alto Douro Vinhateiro, estamos a falar de um alto risco para a classificação do Alto Douro Vinhateiro como património da Humanidade, além de estarmos a falar de um enorme impacto ao nível patrimonial da destruição da linha do Tua e da destruição do vale do Tua, que é um dos ex-líbris da nossa paisagem”, afirmou, por seu lado, João Joanaz de Melo, do Geota.
Joanaz de Melo salientou que as preocupações apresentadas a Cavaco Silva não são apenas ambientais, mas também culturais e de desenvolvimento da economia local para toda a região do Alto Douro e de Trás-os-Montes.
“Estamos de facto muito satisfeitos com a forma como esta audição decorreu, porque o senhor Presidente da República pareceu muito sensibilizado para este conjunto de problemáticas que aqui lhe colocámos”, acrescentou.
Graciela Nunes, do Movimento de Cidadãos pela Preservação da Linha do Tua, realçou que “os cidadãos querem, a todo o custo, defender este património para serviço de transporte das populações e que é também um fator de desenvolvimento e de repovoamento da região”.
“Queremos que seja apelativo, que fixe as pessoas à região. Nós precisamos lá de gente dessa energia das populações. Sabendo que os comboios históricos são acarinhados por todo o mundo, por que não o são os nossos comboios?”, questionou.
A 23 de agosto último, a EDP anunciou que a reprogramação do calendário de construção da barragem de Foz Tua adia em quase um ano a conclusão do empreendimento devido ao abrandamento dos trabalhos acordado entre o Governo português e a Unesco.
A EDP respondia a críticas de um grupo de associações opositoras da barragem que acusou o Governo e a EDP de “desrespeito” do acordo por alegadamente “as obras não terem abrandado”, além de ter sido aprovado um incentivo à EDP pela eletricidade.
Escrito por MCLT |
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05-Sep-2012 |

