DIÁRIO DE BORDO de 14 de Outubro de 2012

 

Neste momento difícil para quem só sabe trabalhar e para os que, tendo trabalhado toda a vida e tendo feito os descontos de lei para a segurança social, esperavam ter uma velhice tranquila, era necessária uma verdadeira oposição. O PCP e o Bloco de Esquerda não podem ser essa oposição forte. O PS não é oposição. E este executivo de gente incapaz e ao serviço do grande capital – é um chavão, mas não há outra maneira de o dizer – tem alguma razão quando não reconhece moral a um partido que, no governo, conduziu o país a uma situação caótica, mas que na oposição parece saber como tudo deve ser feito. Atitude que o PSD assumirá quando estiver na «oposição». É a farsa de uma inexistente democracia.

Numa carta aberta ao secretário-geral do Partido Socialista, o Professor Eurico Figueiredo diz “Na regeneração da nossa democracia não há tempo a perder. E as soluções são de todos conhecidas. Só que têm que ser debatidas e interiorizadas pelos partidos políticos como urgentes e indispensáveis. Se não o fizermos só estamos a adiar o desastre”. E propõe a realização de um congresso extraordinário do PS, “tendo como objectivo o diagnóstico e a terapêutica da doente democracia portuguesa”. Critica desfavoravelmente a ideia de Seguro de criação de um Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal, que “fundamentará o programa eleitoral que os socialistas apresentarão nas eleições legislativas de 2015, a pensar em 2024”. “Fiquei perplexo! Critica-se muitas vezes a democracia, por esta viver ao ritmo das campanhas eleitorais e não se preocupar com metas mais longínquas. Ninguém te poderá acusar de apostares no efémero. Mas também se costuma dizer que quando não se quer fazer nada, numa determinada área, cria-se uma comissão” (…)”Lamento dizer-te que não acredito nada no teu Laboratório”. (…) “Não me parece justificar-se adiar os debates que permitam represtigiar o regime democrático, partidos, deputados e Assembleia da República. O PS não pode ficar à espera das opiniões do Laboratório… Mais, se o PS não o fizer rapidamente será, infelizmente, uma oportunidade perdida”(…)”a democracia reforça-se com mais democracia”.

Sempre o temos dito que, não sendo um partido de esquerda, o PS tem ainda pessoas de esquerda, como Eurico Figueiredo que afirma não temer assumir “opções minoritárias” ou mesmo “solitárias”, Eurico Figueiredo, professor universitário, médico  psiquiatra, ex-deputado, escritor, pintor, uma das figuras «históricas» do partido e que ainda há pouco tempo reconheceu que Portugal já não vive em democracia, aderiu ao nosso projecto.

É um argonauta. Bem-vindo Eurico Figueiredo – e estamos de acordo: a democracia reforça-se com mais democracia.

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