Pentacórdio para Terça 16 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

   Esta Terça-feira 16 de Outubro é particularmente exígua em acontecimentos de grande repercussão cultural destacando-se entre conferências e inaugurações expositivas as seguintes :

 

 

 

   À Fundação Caouste Gulbenkian regressa nesta Terça 16 de Outubro Dia Mundial da Alimentação o ciclo de conferências sobre  “O Futuro da Alimentação – ambiente, saúde e economia” (iniciado há já 4 sessões) com a temática do consumo de peixe e os riscos e benefícios associados a este consumo. Realizar-se no Auditório 2 a partir das 17h30 com entrada livre e transmissão on line em directo ( http://www.livestream.com/fcglive )

   Presidida por Carlos Sousa Reis (antigo presidente do Instituto Português de Investigação do Mar), a discussão será centrada nas questões relacionadas com os riscos, mas também nos benefícios do consumo de peixe para a saúde e para o ambiente.

   Josep Domingo, especialista em toxicología, director da TecnATox e do Laboratorio de Toxicología e Salud Medioambiental da Catalunha, virá falar da necessidade de equilíbrio entre o consumo dos peixes ricos em ácidos gordos, indicados pelos nutricionistas como positivos para a saúde, e que os toxicologistas veem como portadores de contaminantes prejudiciais aos humanos. No mesmo sentido, Carlos Cardoso, investigador no Instituto Português do Mar e da Atmosfera, apresentará a sua visão a partir de um estudo efectuado em Portugal que aponta para uma ponderação mais realista dos riscos e benefícios destes produtos, e a sua importância no consumo do pescado em Portugal.

 

 

 

 

   Também a 16 de Outubro (Terça-feira) é inaugurada na Sala do Mezanino do Museu Nacional de Arte Antiga a exposição Da Ideia à Forma. Desenhos de escultura em Portugal (séculos XVII a XIX)” que aí permanecerá até 13 de Janeiro próximo.

   O seu texto de apresentação diz : Tal como sucede nas outras disciplinas académicas, a escultura começa por surgir na mente do seu criador, daí passando ao papel, antes de tomar forma no respectivo material. Não raro, a obra final converte-se em objecto de estudo, por sua vez fixado em desenho. Estudo preparatório, trabalho de acabamento primoroso para apresentação ao encomendador ou memória posterior, os desenhos de escultura são, assim, uma etapa autónoma.

   Até ao século XIX, existem poucos desenhos de origem portuguesa. Essa raridade justifica a presente exposição”.

 

 

 

   Igualmente inaugurada será em 16 de Outubro (Terça) a exposição “Matta – Alegria – Matta” na Galeria Millennium (Rua Augusta, nº 96), onde perdurará até 31 de Dezembro.

   A Casa da América Latina e a Câmara Municipal de Lisboa apresentam aí um conjunto de 23 obras do chileno Roberto Matta, o último representante do movimento surrealista (que Marcel Duchamp considerava “apesar de ser jovem, … o pintor mais profundo da sua geração”) e um dos mais importantes artistas latino-americanos, cujo centenário do nascimento está a ser comemorado.    Roberto Sebastian Antonio Matta Echaurren (1911-2002), nascido em Santiago, mudou-se para Paris, onde manteve contato com Le Corbusier e conviveu com Arshile Gorky, Magritte, Breton e Salvador Dali. Em 1938, mudou-se para Nova York e migrou do desenho para a pintura a óleo, tendo ainda utilizado cerâmica, fotografia e vídeo. Apoiante de Salvador Allende, veio a morrer em Itália já neste século.

             

 

 

   Por falarmos em exposições, lembramos que encerra a 21 de Outubro a exposição “Tarefas Infinitas. Quando a arte e o livro se ilimitam” que, segundo o seu curador, Paulo Pires do Vale,  “remete para o diálogo infinito que a arte e o livro travam há séculos” a partir das coleções do Museu Gulbenkian e da sua Biblioteca de Arte.

   Ao longo do percurso expositivo, livros iluminados medievais surgem em diálogo com livros de artista contemporâneos, livros ilustrados do século XVII são exibidos junto a livros conceptuais do século XX e livros de horas confrontam-se com livros futuristas e livros de poesia visual, permitindo “articular e gerar sentidos entre os objectos expostos e os processos, físicos e mentais, que lhes deram existência objetual”.

   São exibidas obras e livros de artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Ana Hatherly, Vieira da Silva, Lurdes Castro, Alberto Carneiro, Fernando Calhau, Ed Ruscha, Filippo Marinetti, Stéphane Mallarmé, Jean-Luc Godard, William Kentridge, Gordon Matta-Clark, Lawrence Weiner, Bas Jan Adar, Diogo Pimentão, José Escada, John Latham, Robert Filliou, Christian Boltanski e Olafur Eliasson, entre outros.

 

 

 

   Fecha igualmente em breve (a 25 de Outubro) a exposição de “Esculturas” do artista António Bolota que se encontra na Galeria Quadrado Azul (Largo dos Stephens, nº 4, a São Paulo) onde se efectua a sua segunda mostra.

   Propõe agora uma atenção maior ao objecto enquanto escultura, concebendo duas peças em betão e aço. Em vez de uma massa única, aparecem dois centros que se comunicam. Tratam-se também de elementos que jogam com a ideia de movimento, quer pelas formas que assumem, quer pela disposição no espaço, quer pela circulação que permitem a quem com eles se defronta.

   Segundo o crítico José Luís Porfírio “…neste caso não sentimos invasão nem intrusão alguma, mas uma presença estabilizadora, o registo da ordem que domina a perturbação. Além da dinâmica dos corpos, do seu equilíbrio e desquilíbrio, existe a permanência e a constância do Ser. Assim, paradoxalmente, como sempre nele acontece, António Bolota encontra-se com uma grande tradição clássica”.

 

 

 

   Aos cinéfilos (para lá dos filmes em cartaz que em breve referiremos, como O Gebo e a Sombras ou As Linhas de Wellington) fica, terminada já a Festa do Cinema Francês, a projecção no Auditório do Instituto Cervantes (Rua de Santa Marta, nº 43 r/c), às 18h30, de mais um filme do ciclo De pata negra: Cine español con sello de calidad  “Carreteras secundarias” (1997) de Emilio Martínez Lázaro, com Maribel Verdú, Fernando Ramalo, Antonio Resines, Miriam Diaz Arouca, entre outros.  

   Sinopse: Lozano, que se considera um homem de negócios concebendo sempre novas maneiras de ganhar dinheiro, viaja pela Espanha de 1974 com o seu filho Filipe, prestes a fazer quinze anos, num Citroën Tubarão, a sua única propriedade. Circulam por estradas secundárias, dormem em urbanizações costeiras desoladas e inóspitas nos meses da temporada baixa. As praias solitárias do Inverno são a paisagem a que os olhos do jovem estão habituados.

   Mas vão ter de se afastar do mar o que imporá uma mudança drástica de rumo nas suas vidas …

   [É possível aos interessados ver o filme integral através deste link :

 http://www.youtube.com/watch?v=_kzzhcwafTk ]

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui )

 

 

 

 

 

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