Pentacórdio para Quinta 18 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

   Na Quinta-feira 18 de Outubro o evento cultural marcante poderá muito bem ser o concerto no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, do jovem pianista russo Evgeny Kissin, presença assídua nas temporadas recentes.

   Estreado em Londres, em 1988, com a Orquestra Sinfónica de Londres e o maestro Valery Gergiev, e presente pela primeira vez nos Estados Unidos da América, em 1990, com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque e Zubin Mehta, prosseguiu a sua carreira distinguido com numerosos prémios musicais de prestígio, tendo em 2003 sido galardoado em Moscovo com Prémio Chostakovitch e em 2005 recebido o prestigioso Prémio Herbert von Karajan.

   Com “o invulgar virtuosismo e a qualidade poética das suas interpretações” (como refere o programa) Evgeny Kissin irá tocar :

 

        Joseph Haydn  Sonata nº 59 em Mi bemol, Hob. XVI:49

        Ludwig van Beethoven  Sonata nº 32, op. 111

        Franz Schubert  Improvisos op. 142 nº 1, op. 90 nº 3, op. 142 nº 3 e op. 90 nº 4

        Franz Liszt  Rapsódia Húngara nº 12

 

   Damo-vos dois registos de Evgeny Kissin : um, ainda com 19 anos, interpretando a peça de Liszt do programa desta noite :

 

   O outro actual, em Setembro de 2012, interpretando a sonata de Haydn do concerto em Erevan (Arménia), é de fraca qualidade fílmica (ver em http://youtu.be/-bW0gx3d-k4 ). Como compensação, disponibilizamos a mesma Sonata nº 59 numa boa gravação de Alfred Brendel :

 

 

 

   Também na Quinta-feira 18 de Outubro, um novo Concerto Antena 2 levará ao Auditório da Escola Secundária de Camões, às 19h, a cantora soprano Ana Paula Russo e o guitarrista Carlos Gutkin para em conjunto interpretarem um programa de canções portuguesas e espanholas onde constam :

 

   Roberto Gerhard  El Toro e La Ausencia

   Federico Garcia Lorca  Nana de Sevilla e Sevillana del Siglo XVIII

   Frederico de Freitas  Leda m`and`eu e Mondego

   Carlos Gutkin  Canção ao Menino e Tu que dormes

   Alberto Ginastera / Arr. C. Gutkin  El árbol de olvido

   Adolfo Guzman / Arr. C. Gutkin  No puedo ser feliz

   Sindo Garay / Arr. F. Chaviano  La tarde

   Miguel Matamoros / Arr. C. Gutkin  Lágrimas Negras

   M. de Falla Sete canções populares espanholas:

             El pano moruño, Seguidilla murciana, Jota, Nana, Asturiana, Canción e Polo

 

   Como notas deixamos :

   Ana Paula Russo é uma cantora reputada com larga presença no nosso panorama musical, sendo ainda, actualmente, professora de Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional. Em 2011 participou na estreia mundial da ópera “A Rainha Louca” de Alexandre Delgado e já em Março de 2012 cantou na estreia moderna da ópera “O Basculho de Chaminé” de Marcos Portugal.

  Carlos Federico Gutkin Prast é argentino, tendo escrito numerosas obras para guitarra, voz e guitarra, trio de guitarras, coro, e sintetizadores e outros instrumentos. Colaborou como compositor e intérprete em obras de teatro encenadas por Adolfo Gutkin (seu pai), nomeadamente “Guernica” de Fernando Arrabal (em 2008). Dos múltiplos concertos em duo, desde 1996, com a soprano Ana Paula Russo nasceu um CD com o título “Melodia Sentimental” lançado em Dezembro de 2005.

   Do disco referido retiramos a canção de Frederico de Freitas Mondego, com a guitarra de Carlos Gutkin :

 

 

 

   Na Sala dos Espelhos do Palácio Foz há, às 21h desta Quinta-feira 18 de Outubro, um Recital de Música de Câmara  (de entrada livre) onde serão tocadas obras (ainda não especificadas) de Richard Strauss e Ludwig van Beethoven pelos seguintes intérpretes : Bin Chao violino, Lu Zheng viola, Varoujan Bartikian violoncelo, Marc Ramirez contrabaixo, Esther Georgie clarinete, Vera Dias fagote e Jonathon Luxton trompa.

   Sendo todos eles solistas da Orquestra Gulbenkian, é previsível que esta seja uma antecipação do recital programado para 26 de Outubro na Fundação onde o repertório será Richard Strauss – As alegres travessuras de Till / Eulenspiegel, op. 28 e Ludwig van Beethoven – Septeto para Cordas e Sopros, op. 20.

 

  

   Lembramos que começa na Quinta-feira 18 de Outubro, prolongando-se até Domingo 28, o Doclisboa’12 – Festival  Internacional de Cinema na sua 10ª edição, a decorrer predominantemente nos Auditórios da Culturgest e que se propõe continuar a repensar o Documentário nas suas implicações e potencialidades artísticas, políticas, sociais.

   As Competições Internacional, Portuguesa e Investigações acolherão uma selecção dos filmes mais relevantes do último ano; a secção Riscos, comissariada por Augusto M. Seabra, apresentará um olhar singular das passagens entre o documentário e a ficção; o Heartbeat reunirá obras que se assumem na relação com a música, a dança, a performance.

   Duas novas secções serão inauguradas : a secção Verdes Anos, dedicada a filmes de realizadores em formação, promovendo a reflexão sobre o ensino do cinema documental e a secção Cinema da Urgência, criando um debate a partir de filmes que propõem o cinema como acção directa em contraposição aos media.

   Chantal Akerman será a realizadora em foco, motivo de uma retrospectiva integral, em parceria com a Cinemateca Portuguesa. Há ainda uma curta mas justa homenagem a Fernando Lopes recém-desaparecido.

   “United We Stand, Divided We Fall” é o título da retrospectiva comissariada por Federico Rossin, que faz uma viagem através da história do cinema colectivo dos anos 60, 70 e 80. No marco de um tempo de crise, este programa é considerado como uma forte proposta política.

   Saliente-se o filme da Sessão de Abertura “A Última Vez que vi Macau” dos realizadores portugueses João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, o relato (elogiado) duma aventura de descoberta, feita por ambos, de uma cidade-labirinto, fascinante e multicultural. Eis o filme-anúncio :

 

 

   

   No Goethe Institut de Portugal (ao Campo dos Mártires da Pátria) decorre de 18 (Quinta) a 19 (Sexta) o Colóquio Internacional “Paul Celan | Da Ética do Silêncio à Poética do Encontro” com a presença de diversos especialistas internacionais.

   Explica a organização : “Paul Celan ocupa um lugar de destaque na poesia e na literatura da nossa época. Não só pelo facto de ser uma testemunha do Holocausto, o que consubstanciou a sua poética de uma forma trágica, mas também pelo facto de ser uma das vozes poéticas mais intensas da poesia alemã. Há quem não hesite em considerá-lo o herdeiro do poeta alemão Hölderlin …

   Em Portugal, o entusiasmo pela figura do poeta Paul Celan é notório, mas a escassa investigação que, aqui, se produziu … suscitou a necessidade de um alargamento da investigação sobre o autor … que foi alvo, como se sabe, de análise de pensadores contemporâneos como Emmanuel Levinas, Jacques Derrida, Maurice Blanchot, George Steiner, Barbara Wiedemann, Peter Szondi, entre muitos outros, … no sentido de proporcionar um debate mais amplo”.

(ver programa em http://www.goethe.de/mmo/priv/9993409-STANDARD.pdf )

 

 

 

   Por último, quem se deslocar nesta Quinta 18 de Outubro, às 22h30 ao Ondajazz poderá saborear Músicas do Mundo ouvindo “Susana Travassos e amigos”.

   Tendo como convidados especiais Lizzie Levée, Selma Uamusse e Pierre Arderne, esta cantora portuguesa da nova geração, que já lançou no mercado um disco de homenagem a Elis Regina “Oi Elis” (2008), abordará porventura os temas do seu próximo “Tejo-Tietê”, um disco que busca os pontos de contacto entre as culturas portuguesa e brasileira.

   De recente actuação de Susana Travassos no Ondajazz retirámos esta colaboração com Múcio Sá :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply