Pentacórdio para Sábado 20 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   No Sábado 20 de Outubro alguns eventos de valor cultural marcam o dia, começando pela iniciativa regular de a Fundação Calouste Gulbenkian proporcionar aos jovens e suas famílias um convívio musical tornado mais atractivo por uma encenação apropriada e uma explanação convidativa.

   Assim às 16h no Grande Auditório a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro Lawrence Foster irá tocar “A Sagração da Primavera” de Igor Stravinsky. O comentário ficará a cargo de Pedro Moreira.

   Curiosamente  a tentativa de tornar visualmente mais sugestivas esta (e outras) peças musicais vem de longe. Já Walt Disney na sua Fantasia (1940) aproveitara a gravação memorável de A Sagração por Leopold Stokowski com a Orquestra de Filadélfia para fazer um filme de animação escolhendo representar a origem da Terra e os seus primeiros habitantes. É suficientemente interessante para a mostrarmos :

 

   Agora numa abordagem mais séria, diz o programa que “Igor Stravinsky nunca foi muito claro quanto à ideia motora para A Sagração da Primavera. Tanto defendeu que tinha sido um sonho a ditar-lhe a totalidade da obra como admitiu que teria surgido em colaboração com o pintor e etnógrafo Nicholas Roerich. O pano de fundo das investigações etnográficas de Roerich teria sido, aliás, providencial na abordagem aos rituais pagãos russos – de fertilidade, sexuais ou sacrificiais –, complementada por uma música bela e selvagem”.

   São entretanto conhecidas as primeiras reacções adversas, nomeadamente ao bailado coreografado por Nijinsky num cenário idealizado por Roerich, que acompanharam a sua estreia em Paris em 1913. O nosso antecessor Estrolábio já mostrara dois registos, um com o próprio Stravinski a dirigir a orquestra (ver http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1181275.html ).

   Escolhemos a execução por Valeri Gergiev, outro russo, de A Sagração da Primavera com a sua London Symphony Orchestra em Maio último numa semana londrina dedicada a Stravinski:

   Muitas outras poderiam ser a opção, desde a de Jaap van Zweden com a sua Radio Filharmonisch Orkest no Concertgebouw de Amsterdam (2010) http://youtu.be/5UJOaGIhG7A até à muito pedagógica introdução do maestro (e compositor) Pierre Boulez com aquela London Symphony Orchestra na Alte Oper de Frankfurt (1993) http://youtu.be/x61sCeH7eBE.

  

   E já agora conheçamos igualmente uma boa coreografia actual, a de Pina Bausch, para a mesma Sagração da Primavera stravinskiana :

 

 

   No mesmo Sábado 20 de Outubro na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dª Maria II estreia às 21h15 a peça “Gil Vicente na Horta”, uma versão cénica de João Mota (que a encena) a partir de O Velho da horta e outros textos de Gil Vicente.

   Interpretam-na João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta, Alexandre Lopes, Marco Paiva, Simon Frankel e Bernardo Chatillon, Joana Cotrim, Jorge Albuquerque, Lita Pedreira, Luis Geraldo e Maria Jorge (ano 2011/2012 ESTC), com figurinos de Carlos Paulo, desenho de luz de José Carlos Nascimento e direcção musical e sonoplastia de Hugo Franco.

   A peça foi construída a partir de O Velho da horta apresentada a D. Manuel no ano de 1512 − e outros textos de Gil Vicente(Todo o mundo e ninguém, Barca do Inferno, Auto da Cananeia, Auto da Alma, Auto da Festa, Auto Pastoril Português, Tragicomédia do Inverno e Verão, Auto da Índia. Nesta farsa, onde se exalta a vitória da juventude contra a velhice e a morte, o espectador é colocado perante uma intriga engenhosamente construída, encadeada com uma personagem marcada pelo conflito entre a razão e o sentimento amoroso: “Que morrer é acabar e amor não tem saída”. Um reencontro com a feira alegórica de personagens vicentinas, com as suas questões metateatrais, com o pensamento das sátiras e costumes.

 

 

 

   Também no Sábado 20 de Outubro,no Auditório do Museu Fundação Oriente, às 21h30, é apelativo escutar o músico indiano Roop Verma num recital Sitar Solo.

   Este sitarista é um compositor e professor de música reconhecido internacionalmente e considerado um dos pioneiros do neo-impressionismo na música. Intérprete de música indiana clássica e sacra, a sua proficiência é o resultado de anos de estudo com os grandes mestres Ravi Shankar e Ali Akbar Khan. O seu “Concert for Sitar and Orchestra”, estreado em Novembro de 2006 no Merkin Hall de Nova Iorque, teve uma impressionante resposta do público e o aplauso da crítica. Actualmente é director da East-West School of Music de Monroe, Nova Iorque, onde ensina música clássica tradicional indiana, bem como a ciência e princípios dessa mesma música em estudo comparado e aplicado aos instrumentos e vozes ocidentais.

   Podem aqui ouvir Roop Verma em Dezembro de 2010 celebrando o aniversário de Ramana Maharshi :

 

 

 

   No Coliseu dos Recreios, às 22h, o compositor/cantor Fausto Bordalo Dias apresenta neste Sábado 20 de Outubro ao vivo o seu mais recente disco “Em Busca das Montanhas Azuis”, o último de uma aventura musical iniciada em 1982.

    Com um formato de trilogia, teve o seu início em “Por Este Rio Acima” (1982), seguindo-se “Crónicas da Terra Ardente” (1994), e tem o seu culminar em “Em Busca das Montanhas Azuis”, um disco-duplo editado no final do ano passado, onde Fausto descreve a entrada dos portugueses em terra firme no continente africano. Um trabalho considerado “intenso e mágico que revela uma nova aproximação à música tradicional portuguesa”.

   Eis o videoclip da preparação do álbum em estúdio :

 

 

   Não esquecer, por último, que neste Sábado 20 de Outubro regressa ao Ondajazz, às 22h30, o conhecido agrupamento de jazz “The Mingus Project” constituído por Diogo Duque trompete, Ricardo Toscano saxofone alto, Victor Zamora piano, Vasco Furtado bateria e Nelson Cascais  contrabaixo (e coordenador).

   No mesmo espaço registou o grupo em Janeiro último o tema So Long Eric :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui )

 

1 Comment

Leave a Reply