O SHERIF DE WALL STREET, por Sylvan Cypel

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

Parte II

(conclusão)

Um juiz federal de Nova York, Jed Rakoff, decidiu de facto a favor do procurador-geral num caso recente: o banco franco-belga Dexia, que se considerou enganado por Bear Stearns na aquisição de títulos subprime exigia de JP Morgan 1,6 mil milhões de dólares de reembolso. Este último, argumenta com a anterioridade dos factos e considerando a queixa inadmissível. O juiz indeferiu a sua posição. JP Morgan nesse caso deveria ter feito muito melhor informando-se antes de adquirir o Bear Stearns e deverá ser considerado o responsável por eventuais fraudes deste banco de investimento.

Quase rotineiramente, a fraude, considera Schneiderman, tinha sido erigida em sistema pelos responsáveis da titularização dos empréstimos subprime de Bear Stearns e JP Morgan nada modificou nesta prática depois da sua aquisição. Se este banco é levado a retratar-se, seguir-se-lhe-ão outros agentes que viveram e muito ganharam com as fraudes da crise dita de superprimes, pensa ele.

O novo “xerife de Wall Street” teria pedido à Goldman Sachs, Morgan Stanley e ao Bank of America para que lhe sejam fornecidos milhões de documentos incidindo sobre a sua gestão na crise dos subprime. Barack Obama terá exigido a presença à direcção do grupo encarregado da justiça na crise dos subprimes e o seu responsável máximo, Schneiderman, um ex-advogado da SCE e responsável também pelo obscurecer do banco Merrill Lynch, é considerado bem próximo da esquerda democrática.

Desde o início do verão, este “sherife” não decepcionou Obama, trabalhando sobre todos os quadrantes do processo. Assim, ele abriu as investigações sobre sete bancos no caso da manipulação da taxa Libor, incluindo Goldman Sachs, Deutsche Bank e, já, o JP Morgan. Em Julho, ele acusou doze grandes fundos (incluindo KKR, TPG, Sun e… Bain Capital, o fundo de Mitt Romney), de terem escondido a verdadeira natureza das remunerações dos seus dirigentes com o único propósito de ajudá-los a pagar menos impostos.

No caso emblemático do JP Morgan, será que este irá ao ponto de recusar qualquer acordo para anular a queixa, ao contrário do que aconteceu até agora em todos os processos públicos relacionados com a crise dita dos subprimes? Último caso conhecido, o Bank of America concordou em pagar US $ 2,3 mil milhões de dólares no final do mês de Setembro. O senhor Schneiderman pretende ver os responsáveis da crise “assumirem as suas responsabilidades pelas suas actividades ilegais e enganadoras que provocaram a bolha imobiliária”. Simon Johnson, Professor no MIT, em Boston e ex-economista-chefe do FMI, tem dúvidas que o consiga.

O caso contra JP Morgan constitui “um grande passo para a restauração do estado de direito” nos mercados financeiros americanos, escreveu ele. Se o ministro da justiça de Nova Iorque não se dobrar às pressões, o caso do banco Bear Stearns poderia ser “o primeiro de uma série” que veria assim e finalmente julgados os autores dos principais crimes de colarinho branco. Mas, teme Simon Johnson, Schneiderman “irá defrontar-se com forças incrivelmente poderosas, incluindo dentro da sua própria administração”. (…) ‘ A contra-ofensiva que este sofre é já intensa. ‘ Em Wall Street, o boato não se fez esperar: a maior parte da investigação que este faz depende do nível federal, uma vez passada a eleição presidencial, o caso irá resultar num simples acordo de compensação…à amigável.

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