Pentacórdio para Domingo 21 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

 

   No Domingo 21 de Outubro destacaríamos o concerto do Ciclo Músicas do Mundo intitulado “Roots” que a cantora maliana Rokia Traoré traz às 19h ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian com a particularidade de, sendo um espectáculo acústico diferente dos que antes dera em Portugal, não vir a ser registado em disco, logo único.

   Nascida no Mali como membro do grupo étnico Bambara, Rokia Traoré representa uma emancipação feminina e artística: porque ousou pegar numa guitarra quando nenhuma mulher o fazia e teve a audácia de convocar o pop/rock quando nenhum outro maliano o arriscava, o que é particularmente audível no seu último e premiadíssimo álbum “Tchamantché” (2008).

   Este concerto é, como os anteriores, uma homenagem à tradição mandinge do Oeste africano e às suas raízes, mas também a outras influências determinantes como a canção de expressão francófona (homenagem a Brel e a Ferré), a Stevie Wonder, Bob Marley, Billie Holiday… Com a sua voz e guitarra, faz-se acompanhar de Mamah Diabaté (n’goni), Mamadyba Camara (kora), Habib Sangaré (bolon), Virgine Dembélé (voz), Fatim Kouyaté (voz) e Bintou Soumbounou (voz).

   Do programa constam os seguintes temas que poderão integrar o próximo álbum previsto para 2013 : 1. Kaniba; 2. Titati; 3. Maniamba; 4. Nimandon; 5. Conakry; 6. Toumkaranké; 7. Djore; 8. Zimbabwé; 9. Bouwé wa soumou; 10. Tassi Doni – Kafulmayaye.

   Ouçamos como Rokia Traoré interpretava a solo o tema “M’bifo” em 2010 :

 

 

 

   Também no Domingo 21 de Outubro, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 17h, a sua orquestra residente – a Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida pelo maestro Cesário Costa – executará um programa sobre o tema Divertimentos. Apresenta assim quatro propostas criativas de vultos maiores da história da música que desenvolveram e enriqueceram aquele tipo de peças instrumentais originalmente destinadas a círculos limitados de reuniões sociais privadas.

   Vai assim ser possível ouvir de Wolfgang Amadeus Mozart  Divertimento em Ré maior, K. 136, de Richard Strauss  Divertimento, op. 86, a partir de música de François Couperin, de Bela Bartók  Divertimento para cordas, BB 118 e de Joly Braga Santos  Divertimento nº 1.  

   Embora por outra orquestra (a Symfonieorkest Kon Conservatorium  de Haia), escute-se o Divertimento  de Richard Strauss :

 

 

 

 

   Entretanto, igualmente no Domingo 21 de Outubro, a partir das 20h o Maria Matos Teatro Municipal comemora o seu 43º aniversário, ocasião que também celebra o centésimo aniversário do compositor e teórico musical John Cage, daí a ocasião designar-se “100 CAGE”.

   Neste dia, o teatro apresenta uma parte do importante legado sonoro do artista − ao mesmo tempo que permite ao público uma espreitadela a espaços raramente acessíveis −, sendo John Cage, um pioneiro da música electroacústica, relembrado por alguns dos mais aventureiros músicos nacionais – Carlos Santos, Carlos Zíngaro, David Maranha, Drumming, Eduardo Chagas, Joana Gama, Joana Sá, Luís Bastos Machado, Luís Fernandes, Luís Martins, Nuno Morão, Nuno Rebelo, Paulo Raposo, Ricardo Guerreiro e Ricardo Jacinto.

   Como diz o programa “… quase todas as linguagens de vanguarda e experimentalismo devem a John Cage muita da liberdade, e aceitação, de que agora usufruem. Filho de um inventor pouco convencional, seguiu com a mesma criatividade uma vida cedida à paixão da música, tal como tinha, um dia, prometido a Schoenberg, seu mentor. A sua curiosidade e sede de conhecimento fê-lo beber influências de todas as artes, de muitas culturas, de muitos músicos e compositores; e à medida que ia aprendendo, devolvia-nos as suas revoluções nos instrumentos, nas notações, nas metodologias, nos concertos ou nos happenings …

   Uma das mais conhecidas obras deste artista pouco convencional é «4′33″», composta em 1952, onde o norte-americano não utiliza qualquer tipo de sons. Durante quatro minutos e trinta e três segundos, os músicos ficam quietos diante do instrumento, sendo o conteúdo da composição composto pelos sons ambiente que provêm do público.  Ou(ver) aqui :

 

 

 

   Ainda no Domingo 21 de Outubro, às 22h, na galeria Zé dos Bois, o colectivo norte-americano Negativland apresenta “A Booper Symphony”.

   Como divulga a ZDB “… Explorando o confronto entre observação e concepção, primariamente através do ethos da sound collage, processo de colagem sonora de diferentes peças previamente gravadas, os Negativland têm vindo a desenvolver desde os finais dos anos setenta um percurso extremamente diverso e complexo, com mais de duas dezenas de edições, onde a influência manipuladora e massificadora dos media acaba por ser o alvo mais recorrente, tornando, sem dúvida, este agrupamento (cujo núcleo central inclui Mark Hosler, Richard Lyons, Don Joyce, David Wills e Peter Conheim) uma parte importante da música experimental feita nas últimas três décadas…”.

 

 

 

   Por último, lembramos que prossegue a 10ª edição do Doclisboa’12 – Festival  Internacional de Cinema em diversas salas, chamando a crítica especializada atenção para alguns dos documentários apresentados, entre os quais, neste Domingo 21 de Outubro, no Cinema Londres, na Sala 2 às 18h45, “Un Mito Antropológico Televisivo” de Alessandro Gagliardo, Maria Helene Bertino e Dario Castelli (ver trailer em http://youtu.be/ZfvpSnmwdwg ) e no Cinema São Jorge, na Sala 3 às 21h30, “Low Definition Control Malfunctions # 0” de Michael Palm cujo filme-anúncio reproduzimos :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )

 

 

 

 

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