SOBRE HISPANIDADE E COLONIZAÇÃO – por Glenda Carvalho

Este texto foi-nos enviado como comentário. Pela sua extensão e qualidade, publicamo-lo como post.

Acho que qualquer que fosse a   nacionalidade dos colonizadores, o Brasil teria tido o mesmo destino: ser uma   colônia de exploração e não de povoamento, como foram EUA e Canadá, pelo fato   de ser tropical e oferecer as matérias-primas e riquezas naturais que a   Europa demandava, ao contrário da América do Norte, que, por possuir clima e   recursos similares aos europeus, não sofreu tanta repressão por parte da   metrópole, tendo mais liberdade para desenvolver a atividade comercial e a   indústria e contando com uma colonização que visava mais ao povoamento de   suas terras nos mesmos moldes que os pioneiros ingleses haviam deixado em seu   país natal. É claro que se tivéssemos sido ocupados por ingleses ou   holandeses, mesmo em uma colonização de exploração, haveria diferenças, tanto   para o bem como para o mal, por exemplo, não há como negar que esses países,   de tradição protestante, valorizavam mais a educação, até pela necessidade de   se saber ler e escrever para se conhecer a Bíblia, ao contrário dos povos   latinos e católicos, de tradição mais oral. Também não seríamos uma sociedade   tão miscigenada, pois os ingleses e holandeses, muito mais herméticos quanto   a relações inter-raciais, com certeza não teriam tantos filhos com índias e   escravas; o racismo aqui teria sido muito mais ostensivo e violento, talvez   com uma política oficial de segregação racial; e também seríamos muito mais   puritanos em nossos valores e costumes (sem dúvida o carnaval não seria a   festa popular da dimensão que é hoje, talvez nem mesmo existisse).

Talvez   fossemos mais desenvolvidos material e tecnologicamente, visto que mesmo na   condição de colônia teríamos nos beneficiado, ainda que indiretamente, do   maior desenvolvimento industrial e científico de Inglaterra e Holanda. E   possivelmente haveria menos corrupção generalizada, não que não houvesse de   todo, uma vez que ela existe em todo o mundo, porém talvez não tão   disseminada por todos os setores da sociedade como é hoje, visto que o maior   nível educacional e os valores protestantes,capitalistas e baseados no lucro   e na livre iniciativa dos norte-europeus que formariam a nossa elite   dominante, por colidir com essas práticas de trocas de favores, privilégios e   negociatas, acabariam penetrando na sociedade em algum grau com o passar do   tempo (afinal, mesmo que a elite de colonos e administradores britânicos no   Brasil estivesse mais interessada em explorar as riquezas tropicais da   colônia do que em povoá-la, eles com certeza não abandonariam de todo suas   crenças, valores e tradições ao se estabelecerem aqui).

Leave a Reply