NUNO PORTAS – A PREOCUPAÇÃO COM A HABITAÇÃO SOCIAL por clara castilho

Do site do CIEF – Centro de Investigação em Estudos da Criança, tive a notícia de que a Universidade do Minho atribui doutoramento honoris causa ao arquiteto Nuno Portas.

A condecoração foi proposta pela Escola de Arquitetura da Universidade do Minho (EAUM), que Nuno Portas ajudou a fundar. O reputado arquiteto, professor e urbanista formou também boa parte dos docentes que compõem os quadros da EAUM e participa em diversas atividades extracurriculares para melhorar os projetos desta Escola. Para além disso, tem uma ligação de três décadas à região, nomeadamente como consultor do Município de Guimarães e dos planos de ordenamento do Vale do Ave.

Nuno Rodrigo Martins Portas nasceu em Vila Viçosa em 1934 e é pai de Paulo (ministro da Defesa), Miguel (eurodeputado, já falecido) e Catarina (jornalista, empresária). Recebeu diversas distinções, como o Prémio Abercrombie e a Grande Cruz da Ordem do Infante, foi consultor da ONU e da UE e colaborou em planos territoriais de quatro continentes. É professor emérito da Universidade do Porto e também doutor honoris causa pelo Politécnico de Milão e pela Universidade de Aveiro. No pós-Abril de 1974 fez parte dos três primeiros governos provisórios como secretário de Estado da Habitação e Urbanismo. Publicou inúmeros livros, artigos e tem-se dedicado à investigação e produção teórica, sendo o presidente da associação Europan Portugal.

Este ano, foi objecto da exposição “O SER URBANO, NOS CAMINHOS DE NUNO PORTAS”, em Guimarães,  abrangendo cerca de 50 anos do seu percurso profissional e onde era apontado como uma  “personalidade multíplice e heterodoxa que atravessou momentos fulcrais da cultura portuguesa, produzindo obras de referência – no âmbito da crítica cultural, da investigação, da arquitetura, do urbanismo, das políticas da habitação e da cidade -, as quais indexam as últimas décadas da nossa história recente”.

O livro  “INVESTIGAÇÃO EM ARQUITECTURA- O contributo de Nuno Portas no LNEC- 1963-1974” de Mariana Carvalho, que pode ser encontrado em PDF na internet, dá-nos o testemunho de Nuno Teotónio Pereira, dizendo que Portas era “Dotado de uma grande e versátil capacidade de trabalho, de uma informação de ponta sempre actualizada e de uma facilidade de concepção e criação muito ricas”.

O trabalho lembra que viagem que em 1958 ambos fizeram a Itália a fim de visitar muitos dos bairros económicos produzidos pelo programa INACasa, a zonas rurais e a  centros urbanos. Esta visão neo-realista terão sido basilares para os estudos que o arquitecto produziu posteriormente no LNEC, Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

A prova de final de curso de Nuno Portas, “Habitação Social – proposta para a metodologia da sua arquitectura”, evidenciou muitos dos ideais que posteriormente  viria a defender. “Por influência de Adérito Sedas Nunes e de Nuno Teotónio Pereira, principal impulsionador da constituição de uma política da habitação em Portugal, Nuno Portas abordou a situação da habitação e das preocupações sociais envolventes na sua dissertação, tendo como fundamento as teorias do sociólogo francês Chombart de Lauwe.” Posteriormente, em 1962, Portas aceitou presidir a uma equipa de Investigação em Arquitectura no LNEC.

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