Pentacórdio para Terça 30 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Nesta Terça-feira 30 de Outubro, a celebração dos 150 anos da publicação do livro de Camilo Castelo Branco (jóvem na imagem junta) continua com uma conferência de Duarte Ivo Cruz (foto) intitulada “O Amor de Perdição na forma de espectáculo: Adaptações e versões no Teatro, no Cinema, na Ópera e no Bailado” que terá lugar no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, pelas 18h. 

    “Perceber como e porque é que se deu o salto das páginas para os palcos é o primeiro passo. Daí em diante, está prometida uma série de exemplos para perceber este processo de transição, ou como é que o texto se conseguiu moldar a outros formatos. Perde-se a fidelidade ao texto, ganha-se algo mais? Questões para resolver em tal conferência”, eis a síntese.

 

 

 

 

   Ainda na Terça-feira 30 de Outubro encerra na Fundação Calouste Gulbenkian a conferência “Portugal e o Holocausto”, resultante da iniciativa conjunta da Fundação com a Embaixada dos Estados Unidos e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a decorrer no seu Auditório 2 com acesso livre mediante inscrição prévia (a qual parece estar já esgotada).

   Durante o início da manhã (9h30) debater-se-á o “Ensino do Holocausto em Portugal” com a presença de representantes da Associação dos Professores de História, do Ministério da Educação e da Associação Memoshoá (Portugal). Mais tarde (11h), abordar-se-á a “Experiência Local do Ensino do Holocusto” com relatos dos Embaixadores de Israel, Alemanha, Áustria e E.U.A. e “Lições Aprendidas com Organizações Internacionais” com testemunhos da “Vad Vashem”, da “Shoah Memorial Foundation” e do “U.S.Holocaust Museum”.

   À tarde (14h45) ouvir-se-á, dentro do “Ensinar a Próxima Geração”, a experiência de escolas portuguesas diversas desde as Secundárias de Linda-a-Velha, Miraflores, Quinta do Marquês (Oeiras), Valpaços e Vilela à Escola de Música de Nª Sª do Cabo (Linda-a-Velha).

   Às 16h15 discursará Deborah Lipstadt (foto), Professora “Dorot” de História Judaica Moderna e Estudos do Holocausto (Emory University, Atlanta, E.U.A.) conhecida autora, entre outras obras, de Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory (Negando o Holocausto)(1993) e The Eichman Trial (O Julgamento de Eichman)(2011).

   Encerra a sessão Nuno Crato, Ministro da Educação e Ciência e Eduardo Marçal Grilo, pela  Fundação Calouste Gulbenkian.

 

 

 

   A escassez de eventos leva-nos a lembrar que chegaram aos ecrãs dos cinemas da capital alguns dos filmes recém-exibidos (e elogiados) em festivais de Outubro na capital.

   É o caso de “Poulet aux prunes”(Galinha com Ameixas) (2012) de Marjane Satrapi (a realizadora de Persépolis) e Vincent Paronnaud, com interpretações de Mathieu Amalric, Maria de Medeiros, Golshifteh Farahani, Chiara Mastroianni, Édouard Baer, Jamel Debbouze e Isabella Rossellini. Esta nova passagem da BD para a imagem real (aplaudida na última Festa do Cinema Francês) continua a trabalhar a estética do conto persa, embora a nosso ver, sem o êxito da anterior. Apesar de, como diz um crítico (J.M.), “escorrega(r) pontualmente para um tom satírico um pouco forçado,… para uma sensação de inconsequência tacteante…”, é de recomendar como “não apenas exótico mas também sedutor”.

   Veja-se o filme-anúncio :

 

     

   E também, e sobretudo, de “La Folie Almayer”(A Loucura de Almayer) (2011) de Chantal Akerman, recém homenageada com retrospectiva na Cinemateca Nacional/Doclisboa’12, onde actuam Stanislas Merhar, Marc Barbé e Aurora Marion.

   Nele esta cineasta belga, judia e feminista, adapta livremente o primeiro romance de Joseph Conrad acompanhando os sonhos desvanecidos de um comerciante europeu de encontrar fortuna na Malásia e a sua relação desfeita com a filha meia-malaia. É, no dizer de outro crítico (J.L.R.) “um filme que provoca um fascínio confuso, uma forma de embriaguez, algo que nos envolve e nos leva por caminhos que não são racionais…”.

   Reproduzimos o seu trailer :

 

 

   Oportunamente referiremos outras películas extra-festivais que têm merecido valoração crítica como seja o “Bellamy” (2009) de Claude Chabrol e mesmo “Skyfall” (2012) de Sam Mendes, o último Bond.  

 

 

   Há ainda, como noticiamos habitualmente, a projecção semanal desta Terça-feira 30 de Outubro, no Instituto Cervantes, às 18h30, dentro do ciclo “De pata negra: Cine español con sello de calidad“ : o filme de Fernando León de 1996 “Família” cuja síntese poderia ser : “Alguém disse uma vez que o único erro de Deus foi não ter concedido ao homem duas vidas: uma para ensaiar e outra para actuar. Pois bem, Santiago está disposto a remediá-lo. E é que nesta história há algo que encaixa e algo que não encaixa … Quem não tem sonhado alguma vez em ter uma família a sua medida?”.

   O leitor interessado poderá, agradecendo ao YouTube, espreitar aqui a película integral :

http://youtu.be/cT5OBzaNNxw

 

 

 

   Por último, quem se deslocar à Galeria Zé dos Bois (ZDB) nesta Terça 30 de Outubro às 22h poderá ouvir a estreia nacional dum dos artistas celebrados do ano, LE1f, que “opera uma noção de rap (o queer rap) que provavelmente afastará alguns puristas e aproximará destemidos,” − prevê a ZDB – “seja pela natureza híbrida das canções, seja pelo seu flow por vezes desconcertante. Cativa pela intensidade que evoca e pela criatividade com que cruza cor e ritmo numa atmosfera essencialmente tenebrosa. A mixtape ‘Dark York’ editada este ano, sintetiza tudo isto ao longo de uma hora e resulta de uma intensa busca por diferentes sonoridades”, como a faixa abaixo “Fresh” evidencia :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui )

 

 

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