POESIA AO AMANHECER – 68 – por Manuel Simões

Giovanni Raboni – Itália

( 1932 – 2004)

“POR NENHUMA RAZÃO”

Por nenhuma razão

sabendo aquilo que sucede,

quereria acordar neste mundo.

Mas já pensando-o (pensando

que o pensava) sei também

que não é verdade, que, porquanto

ignominioso seja o presente, eu nunca

renunciaria, podendo escolher,

a estar, talvez de esguelha

e encolhido de amargura, dentro.

Talvez, digo-me então,

não seja para mim que falo, é um outro,

nascido há pouco ou nascituro,

que se agita no meu sono, premendo

sabe-se lá donde sobre omeu peito,

a amassar palavras com o meu sopro…

(de “Barlumi di storia”, versão de Manuel Simões)

O primeiro volume consistente do autor, “Le case della Vetra”, é de 1966. Seguem-se, entre outros: “Cadenza d’inganno” (1975), “Nel grave sogno” (1982), “Versi guerrieri e amorosi” (1990), “Ogni terzo pensiero” (1993), “Barlumi di storia” (2002).

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