Pentacórdio para Sexta 2 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

   Na Sexta-feira 2 de Novembro  o Teatro Nacional de São Carlos retoma a iniciativa de produzir uma ópera, o “Don Pasquale” de Gaetano Donizetti, um drama buffo em três actos com libreto de Gaetano Donizetti e Giovanni Ruffini.

   A direcção musical do Coro do Teatro Nacional de São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa será de Carlo Rizzari, a encenação de Italo Nunziata e a cenografia e figurinos de  Pasquale Grossi.

   A récita inaugural às 20h repetir-se-á nos dias 4, 6, 8 e 10 a horas diferentes.

   Constituem o elenco da representação Don Pasquale  José Fardilha, Norina  Eduarda Melo, Malatesta  Yanni Yannissis, Ernesto  Mathias Vidal e Notário  Frederico Santiago.

   Diz o TNSC no seu programa : “… Don Pasquale, estreada em Paris em 1843, é a antepenúltima ópera do compositor, e pertence ao género da ópera bufa, forma cómica essencialmente italiana, por sua vez inspirada na «commedia dell’arte». Tendo demorado a ascender ao repertório, esta comédia chegou a inspirar, já no século XX, alguns filmes e demonstra bem a veia cómica de Donizetti, completamente à vontade neste ambiente de farsa … (a trama é conhecida) :

   O velho solteirão e avarento Don Pasquale resolve casar-se para evitar legar a sua fortuna ao sobrinho Ernesto, que recusa casar-se com quem o tio pretende e gosta é de Norina, uma rapariga pobre. Mas há um senão: a noiva que prometem a Pasquale, Sofronia, afinal é Norina, que se revela – de propósito – uma perdulária!”

 

   Não havendo, como é óbvio, registo sequer dos ensaios desta representação, vejamos como a apresentaram no Metropolitan em 2010 quando pela primeira vez James Levine a dirigiu, com um elenco valioso que incluia Don Pasquale  John Del Carlo, Norina  Anna Netrebko (foto), Dr.Malatesta  Mariusz Kwiecien, Ernesto  Matthew Polenzani e Notário  Bernard Fitch :

 

 

   E ainda um dueto saboroso de Norina com o Dr. Malatesta :

 

 

  

 

   Entretanto no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30 da mesma Sexta 2 de Novembro, toca o Jim Black Trio, uma formação nova do baterista norte-americano de Seattle que o público português aficionado do jazz conhece bem pela sua participação, com o guitarrista Frank Mobüs, no trio Azul, liderado por Carlos Bica.

   Agora o trio é constituído por Jim Black bateria, Christopher Tordini contrabaixo e Elias Stemeseder piano e gravaram recentemente o álbum “Somatic” para a reputada editora Winter & Winter, que certamente abordarão no concerto.

   Explica o baterista : “ Com este trio … tento ir na direção oposta ao “AlasNoAxis”  (banda que ele lidera há vários anos). Enquanto que com Alas a música que fazemos é tributária da energia, dos ritmos e das texturas do rock, a música que escrevi para este trio revela diferentes maneiras de abordar os ritmos do swing e, obviamente, da improvisação acústica e da estrutura das canções. Mais influenciada pelo jazz e pelos desertos do Mali do que os Sonic Youth…”

   Uma participação ao vivo do “Jim Black Trio” (embora com outro contrabaixista, Thomas Morgan) no Festival de Jazz de Saalfelden (Áustria) em Agosto de 2011 pode ser aqui ouvida :

  

 

 

 

   Lembramos que na mesma Culturgest e na mesma Sexta 2 prosseguem as iniciativas da festa de dança e performance “Celebração” que noticiámos ontem, havendo assim :

   – no Pequeno Auditório, às 21h a dança/performance  “The Archaic, Looking Out, The Night Knight” e às 22h “Measure It in Inches”

   – no Átrio do Pequeno Auditório, às 23h a dança/performance  “Cabaret Curto & Grosso”

   – na Sala 3 a instalação performativa de Lígia Soares  “O Acto da Primavera”, as duas últimas de entrada livre.

 

 

 

   Ao mesmo tempo, às 21h30 da Sexta-feira 2 de Novembro, no Maria Matos Teatro Municipal apresenta-se Mundo Perfeito & Foguetes Maravilha”, com concepção e interpretação de Alex Cassal, Cláudia Gaiolas, Felipe Rocha, Paula Diogo, Renato Linhares, Stella Rabello, Tiago Rodrigues e outros artistas a definir.

   Explicam assim o seu propósito : “ Somos oito atores em palco. Quatro portugueses e quatro brasileiros. Não sabemos ainda quantas pessoas estarão sentadas na plateia a olhar para nós, nem quantas dessas pessoas serão portuguesas, brasileiras ou de outras nacionalidades. Mas sabemos que essas pessoas terão objetos consigo. Objetos nos bolsos, nas mochilas, nos sacos. Esferográficas, chaves, bilhetes de metro, telemóveis, leitores de MP3, armas de fogo, livros. E nós, num truque de magia, adivinharemos que objetos cada membro do público transportou para dentro do teatro. E contaremos as histórias desses objetos como Pêro Vaz de Caminha narrou a chegada dos Portugueses ao Brasil ou Amir Klink a sua travessia do Atlântico num barco a remos”.

   Permanecem em palco até 17 de Novembro (excepto às Segundas e Terças).

 

 

 

   No teatro ainda há mais duas notícias :

 

   No Teatro da Politécnica, os Artistas Unidos (com acolhimento Temps d’Images) apresentam nesta Sexta 2 de Novembro (e também Sábado 3), às 21h, “O Festim – Do fim das Coisas nada Sabemos”, textos de Cláudia Lucas Chéu, com Catarina Vieira, Solange Freitas e Tiago Cadete, numa produção Vertigo – Associação Cultural.

   Explica a autora : “ (a peça)…  é sobre o fim, sendo que, o fim da festa é a metáfora para o fim dos tempos, anunciado há muito. Há os que acreditam, os que se revoltam, os que bebem mais um copo, mas todos inventam um passado e um futuro para si, já que o presente se situa no momento da consciência do fim, esse momento que é sempre uma passagem impossível de situar.

   Onde pusemos o ponto final? Onde nos puseram o ponto final?”

 

 

   Estreou hoje (31/10) – por lapso não o referimos ontem – e permanece até 4 de Novembro, a peça “O Ciclista” que o “Teatro da Terra” apresenta no Teatro do Bairro, onde a actriz Maria João Luís encena e encarna Karl Valentin (1882-1948), autor importante da dramaturgia alemã do século passado, colaborador de Bertold Brecht, mas censurado (e daí parcialmente esquecido) pelo regime nazi durante o qual viveu. Chamavam-lhe o Charles Chaplin dos dadaistas de Munique.

   A encenação de Maria João Luís encadeia uma sucessão de sketchs retirados das suas obras com uma linha harmonizadora de pessoas a circular em pasteleiras e bicicletas da primeira metade do século XX, criando uma dinâmica fluente, onde cada cena se poderia passar em uma qualquer rua de uma qualquer cidade ou aldeia, de um qualquer país, possibilitando uma identificação carinhosa e imediata do espectador com as personagens.

 

 

 

   Voltando à música, na Sexta-feira 2 de Novembro, dentro do projecto Sons pela Cidade, a Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção musical de Reinaldo Guerreiro, interpreta na  Casa de Lafões (Rua da Madalena, nº 199), às 21h30, num concerto comentado por Rui Campos Leitão, um programa de que constam :

        Joseph Haydn  –  Noturno n.º 8 em Sol maior, Hob.II:27

        Edward Elgar  – Serenata em Mi menor, Op. 20

        Edvard Grieg  – Peças líricas, Op. 68, n.os 4 e 5

        Gustav Holst  – Saint Paul Suite, Op. 29/2

        Igor Stravinsky  – Ragtime

 

   Este concerto é repetido no Sábado 3 de Novembro, às 17h00, na Sociedade Musical Ordem e Progresso (Rua do Conde, nº 77) e no Domingo 4 de Novembro, às 17h00, no Museu Nacional de Etnologia.

 

 

 

   Também a 2 de Novembro (Sexta-feira), há na Galeria Zé dos Bois (ZBD), às 22h, o arranque da 11ª edição do Festival Sonic Scope cujo objectivo era “dar a oportunidade de mostrar, num único contexto, novas linguagens ou novas propostas de projectos marcantes da realidade experimental em Portugal, sempre que possível em confronto directo com propostas internacionais”.

   Aqui intervêm  “Hurricane”, o novo projecto que junta Rodrigo Amado (saxofone) a Dj Ride (turntable e electrónica), e Gabriel Ferrandini (bateria), naquela que é a formação mais desconcertante e transversal do saxofonista (segundo a ZDB  “ ao saxofone free form de Amado, respondem a agilidade de Ride nos pratos e na manipulação electrónica em tempo real e a exuberância intuitiva de Ferrandini na bateria”).

   Seguem-se os recém formados “Falaise”, duo de Hernâni Faustino (contrabaixo) e Pedro Sousa (saxofone) que “procuram criar uma linguagem musical feita através da pesquisa abstracta do som produzido pelos seus instrumentos, pois através da livre improvisação são criadas camadas de drones, ou dinâmicas discordantes e tonalidades  fleumáticas”.

   Ouça-se a interacção dos dois músicos de Hurricane numa intervenção pública (Casa do Alentejo) em Julho último :

 

 

 

   Por fim, às 22h30 da Sexta 2 de Novembro, no Ondajazz, no “Filipe Melo Trio” o pianista Filipe Melo conta com André Carvalho (contrabaixo) e João Rijo (bateria), dois músicos com quem se apresentou regularmente em diversas formações.

   Uma dessas formações com mais Jorge Reis (saxofone) e Bruno Santos (guitarra) tocava há um ano assim :

http://youtu.be/037E_ZZhPkk

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui )

 

 

 

 

 

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