EDITORIAL: SOBRE FERIADOS, SANTOS E TERRAMOTOS

Uma questão pertinente a colocar ao PS – se o governo cair e for convidado a formar governo, o PS manterá a decisão de o 5 de Outubro não ser feriado? Não conseguimos aceitar a possibilidade deste governo estar em exercício até Outubro de 2013. O presidente da República, a contragosto, vai ter de tomar uma posição. A indignação popular está a crescer – este governo de má memória vai ter de cair. E, já se sabe, o Partido Socialista sucederá ao PSD. O labirinto da democracia representativa só tem duas saídas – PSD ou PS. Vendo bem as coisas, tem só uma saída – neo-liberalismo.

Por isso, pedir a este PS que seja socialista é como pedir a um gato para ladrar ou a coelho para miar. Este partido nada tem a ver com o socialismo – já nem sequer finge ter. Soares, que há muitos anos atrás meteu o socialismo na gaveta, ainda é capaz de, puxar pela memória e de articular umas “socialices”. António José Seguro, nunca aprendeu a linguagem. Está no PS, como podia estar no PSD ou no CDS. Mas, mesmo sabendo qual é a resposta, voltamos a perguntar – quando o PS for governo mantém a decisão de não comemorar o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro? Isto, enquanto perduram os feriados de sexta-feira santa, a assunção de Nossa Senhora, em 15 de Agosto, a Imaculada Conceição, em 8 de Dezembro.

O PS quando for governo vai declarar que foi assumido um compromisso entre o Estado Português e o Vaticano e que por isso, vai ter de respeitar o acordo que o executivo de Passos Coelho assumiu. Vamos comemorar datas do calendário litúrgico da Igreja católica e deixamos de celebrar a proclamação da República e a restauração da Independência. Dir-se-á – são apenas datas. Pois são, Apenas datas. Não sabemos por que há-de haver um feriado para comemorar todos os santos, mas sabíamos o que significava o 5 de Outubro, o 1 de Dezembro, o 25 de Abril. Mas os compromissos assumidos com troikas e vaticanos, são para cumprir. Aqueles qque se assumem durante as campanhas eleitorais com os eleitores, são para esquecer logo que se toma posse.

Faz hoje 257 anos um sismo destruiu Lisboa. Tínhamos um estadista de grande envergadura e, que se saiba, não houve especulações com terrenos, nem fortunas surgidas do nada. Não houve concursos, nem recurso a fundos comunitários. A Mota-Engil não interveio. Se hoje acontecesse uma catástrofe semelhante, toda uma rede de negócios obscuros, uma legião de ratazanas, transformariam a desgraça de milhares de pessoas em negócio.

O Despotismo Iluminado, hoje não funcionaria. Mas sempre foi mais higiénico do que esta democracia apagada e obscura.

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