CARLOS MARQUES – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

– Ó Romeu Correia, tu conheces o Namorado?

– O poeta Joaquim Namorado, o diretor da revista Vértice, de Coimbra?

– Esse mesmo.

– É claro que conheço. Não te esqueças que eu sou colaborador da Vértice.

– Dizem, não sei se é verdade mas dizem que foi o Namorado quem, para iludir a PIDE e a Censura, camuflou de “neo-realismo” o tão falado “realismo socialista” apregoado pelo Jdanov…

Ri-se, abana afirmativamente a cabeça.

– É capaz de ser verdade, o Namorado sempre gostou de brincar às escondidas com a PIDE e a Censura… Lembras-te daqueles pensamentos na contracapa de cada número da Vértice?

– Sim, estou a ver.

– Pois o Namorado, durante alguns números, publicou pensamentos do Karl Marx mas assinados com o pseudónimo Carlos Marques. E um dia aparece na redação um agente da PIDE a intimidar: “ó Senhor Doutor Joaquim Namorado, avise o Carlos Marques para ter cuidadinho, que nós já estamos de olho nele”…

Gargalhadas e bato com o copo no tampo da mesa, entorno o vinho. Mando vir outra garrafa.

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