MAX AUB – mais alguns micro-contos. Tradução de Carlos Loures.

 

1 – « – Antes morta! – disse-me. E eu só quis fazer-lhe a vontade!»

2 – «Abri-a de alto a baixo, como se fosse uma rês, pois olhava indiferente o tecto enquanto fazíamos amor».

3 – «Íamos como sardinhas em lata e aquele homem era um porco. Cheirava mal. Todo ele cheirava mal, sobretudo os pés. Garanto-lhe que não se podia suportar. Além disso tinha o colarinho da camisa negro de sujidade e o pescoço ensebado. E olhava-me. Uma coisa asquerosa. Ainda quis mudar de lugar. Pode não acreditar, mas aquele indivíduo seguiu-me. Era um cheiro a demónios e pareceu-me ver sair bichos da sua boca. Talvez o tenha empurrado com um pouco de força a mais. Agora não me culpem pelas rodas do autocarro lhe terem passado por cima!»

4 – «Matei-o porque julguei que ninguém estava a ver.»

5 – «Era tão feio, o pobre tipo que, cada vez que o encontrava, era como que um insulto. E tudo tem um limite.»

 

(Traduções de Carlos Loures, feitas a partir da edição da Espasa Calpe, Madrid, 1999.)

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