EM 4 DE NOVEMBRO DE 1969, CARLOS MARIGHELLA FOI MORTO EM SÃO PAULO

E que eu por ti, se torturado for,

possa feliz, indiferente à dor,

morrer sorrindo a murmurar teu nome

(Escrito no cárcere por Marighella,  em 1939)

Filho de um imigrante italiano e de uma negra oriunda do Sudão, Carlos Marighella nasceu em 5 de Dezembro de 1911 em Salvador da Bahia. Poeta e guerrilheiro, foi um dos mais activos e corajosos militantes que lutaram contra o regime militar saído do golpe de 1964.

Numa família de poucos recursos e numerosa (Carlos tinha seis irmãos), cursou Engenharia Civil, não concluindo o curso, e em 1934, com pouco mais de vinte anos tornou-se funcionário do Partido Comunista Brasileiro. Em 1932, ainda estudante, sofrera uma primeira prisão, mas foi em 1936, em plena ditadura getulista, que no 1º de Maio foi preso, acusado de subversão e torturado. Libertado ao cabo de um ano, voltou ao cárcere em 1939 de onde só saiu em 1945, quando da chamada redemocratização. Em 1946 foi eleito deputado pelo PCB, perdendo o mandato em 1948, quando o partido foi ilegalizado. Os anos seguintes, passou-os na clandestinidade. Em 1953 e 54, esteve na República Popular da China.

Em Maio de 1964, sob a ditadura militar que adviera do golpe, foi preso (e baleado) pela DOPS. Libertado no ano seguinte, em 1966  renuncia à sua condição de membro da Comissão Executiva do PCB e envereda pela luta armada. Escreve A Crise Brasileira. Assume uma posição divergente da que o partido adopta e participa e,  1967, em Havana, participa na I Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), organizada em memória de Che Guevara. Expulso do PCB, funda em 1968 a Ação Libertadora Nacional (ALN), um grupo armado que, em Setembro de 1969, participa no sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick. Em 4 de Novembro de 1969, foi atraído por uma emboscada à alameda Casa Branca, em São Paulo, onde foi abatido a tiro por agentes da DOPS.

Em Portugal, embora só em 1975 tenha podido editar-se o seu Manual do guerrilheiro urbano. (Assírio e Alvim), ainda antes da Revolução de Abril, circulavam edições policopiadas e excertos do «manual». A figura e o exemplo de Marighella, mereceram sempre por parte de muitos antifascistas portugueses uma grande admiração e respeito.  À sua memória, prestamos uma singela homenagem, pedindo a vossa atenção para o documentário que se segue.

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