Pentacórdio para Quarta 7 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Na Quarta-feira 7 de Novembro saudemos a chegada a Lisboa da Mostra de Teatro do Brasil do Ano do Brasil em Portugal com a apresentação às 21h na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II da peça “Cartas de Maria Julieta para Carlos Drummond de Andrade” (que se repete no dia seguinte Quarta 8).

   Trata-se de uma concepção de Sura Berditchevsky (para comemorar os seus 40 anos de carreira), que a dirige e interpreta, cabendo a co-direcção a Luis Fernando Philbert e a direcção de arte a Bia Junqueira.

   A peça retrata, através das correspondências entre pai e filha, a relação de Maria Julieta e seu pai Carlos Drummond de Andrade, pois desde que Maria Julieta tinha cinco anos de idade, pai e filha haviam iniciado uma profunda e intensa cumplicidade com a troca de cartas.

   “Julieta e Drummond estabeleceram uma relação de amor, respeito, ética, companheirismo, afinidade intelectual através da literatura”, explica a encenadora. “Família é intimidade. Eles são elegantes na relação, no afecto. Essa intimidade está refletida nas correspondências”.

   O espectáculo é, aliás, fruto de um intenso trabalho de pesquisa em colaboração com Pedro Drummond, filho de Maria Julieta e neto de Carlos Drummond, com relevo para a entrevista de Maria Julieta a seu Pai em 22 de Janeiro de 1984 para o jornal O Globo, posteriormente editada em CD (foto à esquerda).

 

 

 

   Também na Quarta-feira 7 de Novembro há mais um Música no Salão, desta vez dedicado a Itália, com um concerto Barroco Italiano no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, onde o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a  direcção musical de Giovanni Andreoli irão tocar de :

 

       Giovanni Gabrieli  “Jubilate Deo”

       Claudio Monteverdi  “Magnificat”  e  “3 Motetes”

       Antonio VivaldiCredo”, “In Exitu Israel, salmo 113” e “Laudate Dominum omnes gentes”

 

   Não havendo, como é usual, registo destas formações nacionais, escolhemos a obra do compositor menos divulgado, o veneziano Giovanni Gabrieli (1556-1612), discípulo de Orlande de Lassus e mestre de estudantes vários, desde Claudio Monteverdi e Alessandro Grandi a Heinrich Schütz. Aqui o “Jubilate Deo” de 1597 é cantado em 2011 pelas “Balanced Voices” de Matthew Curtis, um premiado tenor norte-americano, com a vantagem para o leitor de poder ir acompanhando nas sucessivas folhas da pauta a evolução do canto :

 

 

 

   Ainda na Quarta-feira 7 de Novembro, os Concertos Antena 2 de entrada livre voltam ao Auditório Caixa Geral de Depósitos do Instituto Superior de Economia e Gestão – ISEG, às 19h, para apresentar as conhecidas instrumentistas portuguesas Ana Queirós piano e Evandra de Brito Gonçalves violino, integrantes desde 2002 do projecto Doppio Ensemble e do TriArt em 2007,  num programa que compreende de :

 

      Olivier Messiaen  Tema e Variações p/ violino e piano

      Astor Piazzolla  Café 1930 e Nightclub 1960 (da “Histoire du Tango”)

      Fernando Lopes-Graça  Sonatina Nº 1 p/ violino e piano

      Sergei Prokofiev  Sonata p/ violino e piano em ré maior nº 2, Op.94 bis

 

   O registo-vídeo mais elucidativo das virtuosidades deste Doppio Ensemble que encontrámos é este do 1º andamento da Sonata-fantasia nº 1 para violino e piano Desesperança (1913) de Heitor Villa-Lobos tocada em Janeiro de 2009 no Festival Internacional de Música do Palácio da Bolsa no Porto :

 

 

 

 

   Para os cinéfilos e atentos ao 2º capítulo “Cinema e Musicalidade” do ciclo que a Cinemateca Nacional organiza com o Festival Temps d’Images  intitulado “O Cinema à volta de cinco artes, cinco artes à volta do cinema”, o filme exibido nesta Quarta-feira 7 de Novembro, às 22h na Sala Luís de Pina, é “Lancelot du Lac” (Lancelot do Lago) (1974, França) de Robert Bresson, com Luc Simon (Lancelot do Lago), Laura Duke-Condominas (Rainha Guinevere), Humbert Balsan (Gauvain), Vladimir Antolek-Oresek (Rei Artur), Patrick Bernhard (Mordred) como principais protagonistas.

   Esclarece o programa : “ Robert Bresson aproxima-se da mitologia da Idade Média com um olhar despojado e austero, quase roçando a abstracção, muito longe do som e fúria que caracterizam as incursões de Hollywood no mesmo tema dos Cavaleiros da Távola Redonda e dos amores adúlteros de Lancelot do Lago e Guinevere, mulher do Rei Artur. A aventura que interessa a Bresson é a interior !… O filme está para o cinema como as Batalhas do pintor florentino Paolo Uccello (1397-1475) estão para a pintura”.

   É este o seu breve filme-anúncio :

 

 

   Para os ainda mais cinéfilos, informa-se que se inaugura nesta Quarta-feira 7 de Novembro, às 17h30, no Anfiteatro II da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa  o interessante Ciclo de Cinema «Portugal visto de fora» que o Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através do seu “Grupo de Investigação Memória e Historiografia”, em conjunto com o Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, organizará em quartas-feiras espaçadas até 20 de Fevereiro de 2013 (o programa encontra-se em http://www.ul.pt/pls/portal/docs/1/383212.JPG ). A entrada é livre.

   O filme de abertura é “Fantasia Lusitana” (2010) de João Canijo.

   Quem não puder comparecer (o que é sempre preferível, até pelo debate que se seguirá), tem aqui (pela generosidade do YouTube que agradecemos) o filme integral, extraordinário retrato do Portugal do Estado Novo e rememoração aguda daquilo de que nos libertámos … sobretudo para alguns “saudosistas” da “tranquilidade” do antigamente) :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )

 

 

 

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