CESÁRIO VERDE – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

  

Em 1881 começam as reuniões do Grupo do Leão (referência ao restaurante “Leão de Ouro”). Literatos muitos: Abel Botelho, Alberto de Oliveira, Mariano Pina, Fialho de Almeida, D. João da Câmara, Gualdino Gomes e Cesário Verde, entre outros. Também pintores, tais como José Malhoa, Silva Porto, os irmãos Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. Fialho mostra-se insatisfeito com o naturalismo na pintura, afirma que a arte não deve ser uma cópia da natureza, antes a “expressão roaz do pensamento”. Cesário Verde apoia Fialho, veemência. Mas os pintores discordam, estão ancorados no imutável céu azul, nas vaquinhas malhadas por entre os prados verdes, nas messes loiras, nos rebanhos ao entardecer, nos muros cobertos de musgo, nas pontes sobre os riachos, nos moinhos lá no alto das colinas…

 Mais tarde, ao pintar o Grupo do Leão, Columbano irá esquecer-se de colocar Fialho e Cesário entre os convivas. Esquecimento? Talvez não seja…

 E se alguém já sabe (e talvez Alberto de Oliveira saiba) das exposições impressionistas de Paris (a primeira ocorreu em 1874), cala-se! Do Grupo do Leão é um não-pintor, é Cesário Verde quem antecipa o impressionismo em Portugal. O seu poema De Tarde é como tela de Renoir:

 Naquele “pic-nic” de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.  

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.  

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

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