José Hierro – Espanha
(1922 – 2002)
REPORTAGEM (fragmento)
Daqui, desta prisão, poderia
ver-se o mar, seguir-se o giro
das gaivotas, tomar o pulso
ao bater do tempo vivo.
Esta prisão é como
uma praia: nela está tudo
adormecido. As ondas quebram
quase a seus pés. O Verão,
a Primavera, o Inverno,
o Outono, são caminhos
exteriores que outros andam:
coisas sem vigência, símbolos
mutáveis do tempo. (O tempo
aqui não tem sentido.)
(tradução de Egito Gonçalves)
Nasceu em Madrid. Obra poética: “Tierra sin nosotros” (1947), “Alegría” (1947), “Con las piedras, con el viento” (1950), “Estatuas yacentes” (1953), “Cuando sé de mi” (1957), “Poesía del momento” (1957).

