POESIA AO AMANHECER -77 – por Manuel Simões

José Hierro – Espanha

(1922 – 2002)

REPORTAGEM (fragmento)

Daqui, desta prisão, poderia

ver-se o mar, seguir-se o giro

das gaivotas, tomar o pulso

ao bater do tempo vivo.

Esta prisão é como

uma praia: nela está tudo

adormecido. As ondas quebram

quase a seus pés. O Verão,

a Primavera, o Inverno,

o Outono, são caminhos

exteriores que outros andam:

coisas sem vigência, símbolos

mutáveis do tempo. (O tempo

aqui não tem sentido.)

(tradução de Egito Gonçalves)

Nasceu em Madrid. Obra poética: “Tierra sin nosotros” (1947), “Alegría” (1947), “Con las piedras, con el viento” (1950), “Estatuas yacentes” (1953), “Cuando sé de mi” (1957), “Poesía del momento” (1957).

 

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