EM VIAGEM PELA TURQUIA – 43 – por António Gomes Marques

(Continuação)

 Desta vez, não chegámos por via aérea, mas de autocarro. Istambul ia-se aproximando e, ao longe, pelas janelas do transporte rodoviário, íamos visionando o Bósfora, o Mar de Mármara e a entrada para o Mar Negro. De repente, encontramo-nos na Ponte do Bósforo, sobre o estreito com o mesmo nome, ou melhor, foi o estreito que deu o nome à ponte, ligando a parte asiática, de onde vínhamos, à Europa, ou seja, ligando os dois lados ¾ asiático e europeu da que é a maior cidade da Turquia: Istambul.

 A ponte tem 1560 metros de comprimento, com um tabuleiro de 39 metros de largura, tendo este, em relação ao mar, uma altura de 64 metros. A ponte, pelo seu comprimento, obriga a torres de sustentação, que distam entre si 1074 metros. É uma ponte de que os turcos falam com frequência e, naturalmente, com orgulho. Esta ponte foi concluída em 30 de Outubro de 1973, um dia após a data do 50.º aniversário da fundação da República da Turquia e da eleição de Mustafá Kemal como Presidente, facto este que já referimos.

 Passada a ponte, eis-nos de regresso à Europa, ou seja, à Trácia Turca, parcela do país situada na Europa, sendo a Anatólia a ponte entre os dois continentes, Europa e Ásia, com 23.507 km² na Europa e 760.055 km² na Ásia

 Logo de imediato, verificamos que a modernização à ocidental não parou, mas desta vez com exemplos que não são os mais agradáveis para nós, de que são exemplo os novos edifícios gigantescos em altura, sedes de bancos e de seguradoras. Mas o nosso interesse não está nestes novos edifícios, mas o mesmo não diremos do que nos parece um aumento significativo do número de árvores plantadas neste período que nos separa de 1989, quando aqui estivemos pela primeira vez.

 O nosso almoço foi num restaurante à beira do Bósfora, tendo em frente a entrada no Mar Negro.

                        

Junto ao Bósforo, com a entrada no Mar Negro ao fundo

Seguiu-se o cruzeiro no Bósforo, que eu e a Célia repetíamos com enorme prazer, vendo as já conhecidas vivendas e palácios de um lado e outro do Estreito e notando as novas construções, constituindo bairros de luxo, com as casas rodeadas de espaços ajardinados, com belíssimas árvores e de preços avultados, segundo a nossa guia, havendo mesmo mansões avaliadas em 10 milhões de dólares do lado europeu.

  

Um bom local para viver

 

Navegando no Bósforo

 No nosso cruzeiro pudemos também ver a chamada Fortaleza da Europa, mandada construir por Mehmet, o Conquistador, em 1452, no ponto mais apertado do Bósforo. Hoje já nada tem a ver com o fim para que foi construída e que é fácil de adivinhar, sendo mesmo, para além de um bom local para passar uma tarde, utilizado o seu espaço para apresentar encenações teatrais ao ar livre, no Festival de Artes e Cultura de Istambul.

 

Fortaleza da Europa, construída para controlar o Bósforo

 Podemos também referir uma curiosidade que tem toda a lógica e que se prende com a salinidade do Mar de Mármara, do Bósforo e do Mar Negro, sendo este o menos e o Mar de Mármara o mais salgado, perfeitamente compreensível pela situação de cada um. Também naturalmente, o Mar de Mármara é menos salgado do que o Mar Egeu, dado ser esse o Mar que separa o Mar Negro do Egeu pelos Estreitos do Bósforo e de Dardanelos, como já referimos.

Ao centro o Mar de Mármara com o Mar Negro em cima e o Mar Egeu à esquerda, com os dois estreitos bem visíveis

Terminado o cruzeiro, outras maravilhas nos aguardavam, a começar pela Mesquita de Süleymaniye.

 (Continua)

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