A CATALUNHA EM QUATRO LIÇÕES (uma por cada barra)

 Os portugueses sempre ouviram falar da Catalunha como sendo uma “região”, uma “província” de Espanha. Ignoram aspectos básicos da realidade catalã – uma nação, com a sua história, a sua cultura, o seu idioma… e os seus símbolos. Ou seja, os portugueses (e não só) absorveram a imagem que o centralismo de Madrid difunde pelo mundo – a de uma Espanha composta por regiões, por “comunidades autonómicas” (e há quem defenda que Portugal deveria integrar-se e passar a ser uma dessas comunidades…). A realidade é diferente – Espanha, tal como hoje está constituída, é um estado artificial como o foram a União Soviética, a Jugoslávia, como ainda o é a Grã-Bretanha. Nações como a Galiza, como o País Basco e a Catalunha, são consideradas “regiões” ou “províncias”. Noutros textos anteriores, falamos da história e da cultura catalãs. Aqui, vamos referir quatro símbolos,  ícones da Catalunha – um símbolo por cada uma das barras da bandeira catalã.

A bandeira – la senyera

A bandeira catalã – La senyera – quatro barras vermelhas sobre fundo amarelo, tem a sua origem no pendão da dinastia condal de Barcelona, referenciada desde o século XI. Posteriormente passou a ser a bandeira dos diversos territórios da coroa aragonesa. Em finais do século XVIII, o rei Carlos III  (de Espanha) adoptou como símbolo, as duas barras vermelhas com a amarela ao meio, terá sido em La senyera que se inspirou, embora nem todos os historiadores estejam de acordo quanto a isso. Em todo o caso, tenha ou não a bandeira espanhola origem na catalã,  La senyera é a bandeira mais antiga do mundo. Vamos ouvir “El cant de la senyera” – um poema de Joan Maragall com música de Lluís Millet, cantado pelo Orfeó Català

“Al damunt dels nostres cants

aixequem una Senyera

que els farà més triomfants.

Au, companys, enarborem-la

en senyal de germandat!

Au, germans, al vent desfem-la

en senyal de llibertat.

Que volei! Contemplem-la

en sa dolça majestat!

Oh bandera catalana!,

nostre cor t’és ben fidel:

volaràs com au galana

pel damunt del nostre anhel:

per mirar-te sobirana

alçarem els ulls al cel.

I et durem arreu enlaire,

et durem, i tu ens duràs:

voleiant al grat de l’aire,

el camí assanyalaràs.

Dóna veu al teu cantaire,

llum als ulls i força al braç.”

O hino – Els Segadors

O hino nacional catalão tem origem na revolta dos Ceifeiros (Els Segadors) em 1640 a qual, como sabemos, teve reflexos em Portugal. A origem do hino remonta à época da revolta. Canção popular, sem nada de épico, cantada por tabernas e locandas, resultou com letra solene e patrótica num dos símbolos maiores da nação. Vamos ouvir La Guerra dels Segadors, uma versão próxima do original, cantada por Rafael Subirachs.

A sardana

A sardana é a dança típica da Catalunha, cujas origens dão lugar a várias teses –  existem diversos testemunhos que parecem demonstrar a sua existência já no século XIII; mas há quem defenda que tem origem nas danças da Grécia. Outra tese é a de que teria vindo da Sardenha, que foi colónia da coroa aragonesa e onde ainda existem vestígios da colonização catalã, noimeadamente em Alguero, onde se fala uma variante so catalão. A sardana é uma dança de roda em que pode participar um número indeterminado de pessoas, acompanhadas por uma pequena orquestra de instrumentos populares, a chamada  cobla. Vamos ouvir La santa espina, de que já falámos, agora interpretada por Marina Rossell, numa actuação no Teatre del Liceu (Barcelona) em 11 de Setembro de 2008.

O Barça

Este será, porventura, o símbolo catalão que os portugueses melhor conhecem – o FCB, o Barcelona, o Barça. O Barça não é um simples clube de futebol – é um grito da alma catalã. Uma vitória do Barça, é uma vitória da Catalunha. Ouçamos o Hino do Barça na versão de Joan Manuel Serrat:

 

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