O Estatuto da Catalunha – Estatut de Catalunya

Projeto de Estatuto da Catalunha de 1919

O Projeto de Estatuto da Catalunha de 1919 desenvolveu-se num ambiente favorável ao autonomismo e foi aprovado pela assembleia da Mancomunitat de Catalunya, em Barcelona, em 24 de janeiro de 1919, com o apoio dos partidos políticos catalães: o Partit Català Republicà tomou-o como o seu principal ponto programático, também o aprovaram os radicais de Alejandro Lerroux e o partido de Francesc Cambó (Lliga Regionalista).

Francesc Macià – falando como independentista – disse que era un estatuto moderado, mas o melhor que então podia ser alcançado.

Em 26 de janeiro foi ratificado numa assembleia, no Palácio da Música em Barcelona, que reuniu todos os representantes municipais, sendo que 1.046 de 1.072 cidades votaram afirmativamente.
Em 28 de janeiro, o projeto foi enviado ao governo espanhol para aprovação mas divergências entre o governo catalão e o governo espanhol, primeiro, e finalmente a ditadura de Primo de Rivera travaram-lhe o progresso.

Estatuto da Catalunha de 1932

 

O Pacto de São Sebastião, assinado em agosto de 1930 entre republicanos, socialistas e catalanistas de esquerda, previa atender às reivindicações nacionalistas, mas sem um calendário concreto. Após a abdicação do rei Afonso XIII, em 14 de abril de 1931 a Esquerra Republicana, dirigida por Francesc Macià, proclamou  a República Catalana.

A Generalitat preparou um projeto de Estatuto, que ficou conhecido como Estatuto de Núria, que foi referendado pelos catalães a 2 de agosto de 1931 e obteve uma participação de 75% e a aprovação de 99% dos votantes.

A discussão do projeto nas Cortes iniciou-se em maio de 1932, intensificou-se após a falhada a tentativa de golpe de do general Sanjurjo – “la Sanjurjada” – tendo o projeto sido aprovado por ampla maioria – 314 votos a favor e 24 contra – a 9 de setembro de 1932.

O Estatuto aprovado reduzia as pretensões originais – de “Catalunha é um Estado autónomo dentro de la República espanhola” para “Catalunha constitui-se como região autónoma dentro do Estado espanhol”. Também da proposta do catalão como única língua oficial se passou à cooficialidade do catalão e castelhano.

A aprovação duma lei dos contratos de cultivo, com direitos para os arrendatários, levou a direita catalã a reclamar a sua inconstitucionalidade junto do Tribunal de Garantias Constitucionais, o que este fez  em 8 de junho de 1934. Acto considerado por Esquerra Republicana como um ataque à autonomia catalã.

Quando  em outubro de 1934 a Generalitat se ergueu contra o governo de coligação direitista, e o seu presidente Lluís Companys proclamou “o Estado de Catalunha dentro da República federal de Espanha”, a derrota daquele levantamento teve como consequência a suspensão do estatuto de autonomia, que só seria reposto em 1936 com a vitória da Frente Popular e a restauração da Generalitat de novo sob a presidência de Lluís Companys.

Com a entrada das tropas franquistas em Barcelona, em janeiro de 1939, foi imediatamente abolido o regime autonómico.

Projecte de l’Estatut de Catalunya de 1931 (Estatut de Núria)

Estatut de Catalunya de 1932

Estatuto da Catalunha de 1979

 

Em 15 de junho de 1977 tiveram lugar as primeiras eleições multipartidárias em Espanha desde a Segunda República, destinadas a formar as Cortes Constituintes que preparariam a nova Constituição.

Um decreto lei promulgado em 29 de setembro restabelecia a Generalitat de Catalunya. A Generalitat era a única instituição que não provinha do franquismo.

A elaboração do projeto estatutário correspondeu a um trabalho dos deputados e senadores eleitos pelas circunscrições catalãs e foi elaborado pela chamada “Comissão dos Vinte” na localidade barcelonesa de Vilanova de Sal pelo que é também conhecido por Estatut de Sau.

Estatuto da Catalunha de 2006

 

Estatut d’autonomía de Cataluya  é a norma institucional básica da Catalunha, outorgando a autonomia e fixando os limites para o governo catalão, os direitos e deveres dos cidadãos e o regime linguístico. Foi aprovado em 2006 pelas Cortes e posteriormente referendado pelos cidadãos catalães, em 18 de junho de 2006.

A reforma do Estatuto de Autonomia era uma proposta que os partidos progressistas catalães tinham começado a desenvolver durante a legislatura de CiU (Convergència i Unió). Enquanto candidato a primeiro ministro, Zapatero comprometeu-se num comício do PSC-PSOE , durante a campanha eleitoral em novembro de 2003, a aprovar a reforma do Estatuto da Catalunha que o Parlamento da Catalunha viesse a aprovar.

Se terá sido fácil o acordo em matérias como a definição de Catalunha como uma nação, o dever de conhecer as duas línguas oficiais (catalão e espanhol) ou a criação duma circunscrição catalã nas eleições europeias, matérias como o financiamento e a laicidade do ensino terão feito pensar na impossibilidade dum acordo, apenas obtido in extremis a 30  de setembro de 2005  e que permitiu a aprovação dum novo Estatuto de Autonomia com os 120 votos a favor de CiU, PSC (Partido Socialista de Catalunha), ERC (Esquerda Republicana Catalã) e ICV-EA (Iniciativa pela Catalunha e Verdes – Esquerda Unida) e os apenas 15 votos contra do PP (Partido Popular).

O novo Estatuto foi aprovado pelo Congresso de Deputados em 30 de março de 2006 e posteriormente pelo Senado que o aprovou no plenário de 10 de maio de 2006, com o apoio de todos os partidos exceto o PP que votou contra e a ERC que se absteve, em protesto contra as alterações entretanto introduzidas em resultado dum acordo entre os catalães da CiU e o governo espanhol do PSOE que o teriam ‘descafeínado’. A 18 de julho realizou-se o referendo na Catalunha sobre o Estatuto. Em 31 de julho de 2006 o PP pretendeu impugnar 114 artigos e apresentou um recurso de inconstitucionalidade ao Tribunal Constitucional, que veio a considerar inconstitucionais 14 artigos do Estatuto.

Preàmbul

«Catalunya s’ha anat fent en el decurs del temps amb les aportacions d’energies de moltes generacions, de moltes tradicions i cultures, que hi han trobat una terra d’acollida.

El poble de Catalunya ha mantingut al llarg dels segles una vocació constant d’autogovern, encarnada en institucions pròpies com la Generalitat -que fou creada el 1359 a les Corts de Cervera- i en un ordenament jurídic específic, aplegat, entre altres recopilacions de normes, en les Constitucions i altres drets de Catalunya. Després del 1714, han estat diversos els intents de recuperació de les institucions d’autogovern. En aquest itinerari històric constitueixen fites destacades, entre altres, la Mancomunitat del 1914, la recuperació de la Generalitat amb l’Estatut del 1932, el restabliment de la Generalitat el 1977 i l’Estatut del 1979, nascut amb la democràcia, la Constitució del 1978 i l’Estat de les autonomies.

La llibertat col·lectiva de Catalunya troba en les institucions de la Generalitat el nexe amb una història d’afirmació i respecte dels drets fonamentals i de les llibertats públiques de la persona i dels pobles; una història que les dones i els homes de Catalunya volen prosseguir amb la finalitat de fer possible la construcció d’una societat democràtica i avançada, de benestar i progrés, solidària amb el conjunt d’Espanya i incardinada a Europa.

El poble català continua proclamant avui com a valors superiors de la seva vida col·lectiva la llibertat, la justícia i la igualtat, i manifesta la seva voluntat d’avançar per una via de progrés que asseguri una qualitat de vida digna per a tots els que viuen i treballen a Catalunya.

Els poders públics estan al servei de l’interès general i dels drets de la ciutadania, amb respecte pel principi de la subsidiarietat.

És per tot això que, seguint l’esperit del preàmbul de l’Estatut del 1979, aquest Estatut assumeix que:

  • Catalunya és un país ric en territoris i gents, una diversitat que la defineix i l’enriqueix des de fa segles i l’enforteix per als temps venidors.
  • Catalunya és una comunitat de persones lliures per a persones lliures on cadascú pot viure i expressar identitats diverses, amb un decidit compromís comunitari basat en el respecte per la dignitat de cadascuna de les persones.
  • L’aportació de tots els ciutadans i ciutadanes ha configurat una societat integradora, amb l’esforç com a valor i amb capacitat innovadora i emprenedora, uns valors que continuen impulsant-ne el progrés.
  • L’autogovern de Catalunya es fonamenta en la Constitució, i també en els drets històrics del poble català, que, en el marc d’aquella, donen origen en aquest Estatut al reconeixement d’una posició singular de la Generalitat. Catalunya vol desenvolupar la seva personalitat política en el marc d’un Estat que reconeix i respecta la diversitat d’identitats dels pobles d’Espanya.
  • La tradició cívica i associativa de Catalunya ha subratllat sempre la importància de la llengua i la cultura catalanes, dels drets i els deures, del saber, de la formació, de la cohesió social, del desenvolupament sostenible i de la igualtat de drets, i avui, especialment, de la igualtat entre dones i homes.
  • Catalunya, per mitjà de l’Estat, participa en la construcció del projecte polític de la Unió Europea, els valors i els objectius de la qual comparteix.
  • Catalunya, des de la seva tradició humanista, aferma el seu compromís amb tots els pobles per a construir un ordre mundial pacífic i just.

El Parlament de Catalunya, recollint el sentiment i la voluntat de la ciutadania de Catalunya, ha definit Catalunya com a nació d’una manera àmpliament majoritària. La Constitució espanyola, en l’article segon, reconeix la realitat nacional de Catalunya com a nacionalitat.

En exercici del dret inalienable de Catalunya a l’autogovern, els parlamentaris catalans proposen, la Comissió Constitucional del Congrés dels Diputats acorda, les Corts Generals aproven i el poble de Catalunya ratifica aquest Estatut. »

ESTATUT D’AUTONOMIA DE CATALUNYA (català)

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SERÁ JÁ O PRÓXIMO ESTATUT QUE SERÁ O DUMA CONSTITUIÇÃO DUM NOVO ESTADO?

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