EDITORIAL: OS CORTES NA DESPESA

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Passos Coelho admitiu o fim do ensino obrigatório gratuito, na entrevista que deu à TVI, na quarta-feira passada. Transcrevemos do Público de sexta-feira, dia 30 de Novembro, a resposta que deu a Judite de Sousa, que lhe perguntou se iríamos ter de pagar pelas escolas públicas à semelhança do que já acontece com alguns serviços do Serviço Nacional de Saúde: “Temos uma Constituição que trata o esforço do lado da Educação de uma forma diferente do esforço do lado da Saúde. Na área da Educação, temos alguma margem de liberdade para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre os cidadãos e a parte fiscal directa que é assumida pelo Estado.” Está claro que Passos Coelho admitiu a hipótese de as famílias pagarem propinas para terem os filhos na escola. À tarde o Ministério da Educação garantiu que o Governo nunca pôs em causa a gratuitidade da escolaridade obrigatória. E Passos Coelho em Cabo Verde também disse que nunca tinha admitido essa possibilidade. Desdisse-se, portanto. Ou então, ouvimos (ou lemos) mal.

Passos Coelho é um estadista fraco, como já toda a gente sabe. Não tem capacidade para o lugar.  Não vale a pena gastar tempo a enumerar as suas falhas. Contudo, uma coisa vale a pena analisar. Terá havido uma contradição? Claro que houve, mas terá sido involuntária, uma simples gaffe? Talvez não. Terá sido sim um balão de ensaio para testar as reacções aos quatro mil milhões de cortes, que nos querem fazer aguentar.

Quem realmente manda nesta terra (os tais que acham que o povo português aguenta, aguenta) quer esses cortes por uma série de motivos, desde os negócios na área da saúde e da educação sem a concorrência do estado, fugir aos impostos sobre transacções financeiras e lucros bancários., obter financiamentos do estado para determinadas situações etc.  Quanto ao futuro, logo se verá. Se os quatro milhões não aparecerem, ou desaparecerem, conforme o ponto de vista, temos de ir à refundação, seja lá o que isso for. Coisa boa não é. Não há dúvida que 2013 promete.

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