Pentacórdio para Quarta 5 de Dezembro

por Rui Oliveira

 thais_

Jules-Massenet   Na Quarta-feira 5 de Dezembro, estreia às 20h na Sala Principal do Teatro Nacional de São Carlos a ópera em versão de concerto de Jules Massenet intitulada “Thaïs”, em três actos, com um libreto de Louis Gallet baseado no romance homónimo de Anatole France e criada na ópera de Paris a 16 de Março de 1894. Repetem-se récitas a 7 (Sexta, 21h30) e 9 de Dezembro (Domingo, 16h).

Anne Sophie Duprels   Tocam-na o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Martin André e os intérpretes serão :

   Thaïs (soprano)  Anne Sophie Duprels (foto),  Athanaël (barítono)  Ashley Holland,  Nicias (tenor)  Jeffrey Lloyd Roberts,  Palemon (baixo)  Jorge Vaz de Carvalho,  Crobile, serva/Albine, abadessa (soprano)  Carla Simões,  Myrtale (mezzo-soprano)  Patrícia Quinta e  Um servo (tenor)  Daniel Paixão.

   A acção é conhecida e decorre em Alexandria no século IV. Um monge cenobita, Athanaël, tenta converter ao cristianismo Thaïs, cortesã célebre e devota da deusa Vénus.  Consegue-o  − a Meditação Religiosa (hoje conhecida como “Meditação de Thaïs”) executada como interlúdio entre duas cenas do segundo acto e confiada a um solo de violino é o reflexo dessa conversão – e Thaïs fecha-se num convento até à sua morte próxima. Athanaël descobre tarde demais que a sua obcessão por Thaïs estava repleta de amor carnal e, enquanto Thaïs morre na alegria da redenção, o monge renega a sua fé e desespera.

 

   Sem registo da sua versão concerto, “oferecemos-lhe” a versão cénica integral no Teatro La Fenice de Veneza com a direcção de Pier Lui Pizzi, sendo Marcello Viotti o maestro e com Eva Mei (Thaïs), além de Michele Pertusi, William Joiner e Chritstophe Fel highlight :


 

doze homens e uma setença   Também nesta Quarta-feira 5 de Dezembro  estreia na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II mais um espectáculo integrado no “Ano do Brasil em Portugal – Mostra de Teatro do Brasil”, às 21h, repetindo no dia seguinte (Quinta 6).

doze homens e uma setença 1   Trata-se de “Doze Homens e uma Sentença”, peça do dramaturgo americano Reginald Rose (escrita para a TV em 1954 e que se tornou particularmente conhecida após o filme de Sidney Lumet “Twelve Angry Men” de 1957), em tradução de Ivo Barroso, encenada e dirigida por Eduardo Tolentino. Conta no seu elenco com Adriano Bedin, Brian Penido, Ricardo Dantas, Zé Carlos Machado, Oswaldo Mendes, Augusto Cesar, Fernando Medeiros, Haroldo Ferrari, Henri Pagnoncelli, Oswaldo Ávila, Riba Carlovich, Gustavo Trestini e Ivo Muller.

   O tema (familiar aos cinéfilos) pode descrever-se :

doze-homens-uma-sentenca 2 - Copy   Os doze jurados devem decidir se condenam ou não à morte na cadeira eléctrica um jovem acusado de assassinar o pai. O calor escaldante do Verão de Nova York faz o suor pingar do rosto dos 12 homens trancados à chave numa pequena e claustrofóbica “sala de júri”. Depois de dias de julgamento, está nas suas mãos decidir a sorte do réu. O mais importante: o veredicto precisa de ser unânime. Se os 12 enclausurados jurados considerarem o réu culpado do assassinato do próprio pai, ele será executado, mas se um deles tiver uma dúvida razoável a respeito da culpabilidade, o filho não poderá ser condenado … e todo o conflito começa quando um dos doze jurados (o actor Henri Pagnoncelli, na foto) opta pela dissonância e abala a convicção do grupo, até então decidido pela condenação …

   Este é um excerto da representação pelo TUCA em Perdizes no Estado de São Paulo (Brasil) :

 

 

 

   Ainda na Quarta-feira 5 de Dezembro, às 21h30, começa a apresentação de “A Africana” na Sala Principal do Teatro Maria Matos, um projecto da companhia de teatro Cão Solteiro em parceria com o artista plástico Vasco Araújo numa co-produção daquele Teatro Maria Matos com a Fundação Calouste Gulbenkian. Permanece em palco às 4ªs, 6ªs e Domingos até 16 de Dezembro.

a africana   É uma peça inspirada em “L’Africaine” de Giacomo Meyerbeer, uma ópera com libreto de Eugène Scribe que foi um sucesso estrondoso no século XIX, mas é raramente apresentada hoje em dia. A personagem central é Vasco da Gama, navegador e descobridor, que ambiciona um “país maravilhoso”.

   Na sua apropriação da obra original, ”Cão Solteiro e Vasco Araújo” partem desta vontade para passar pelo inesgotável discurso da alteridade e do estrangeiro, pretextos para uma rescrita a pensar nas possibilidades de tais palavras nos tempos de hoje. Prossegue-se desta forma uma linha de trabalho “que se centra no cruzamento da linguagem teatral com a linguagem musical e o canto, como no projecto anterior «A Portugueza» cujo objecto de análise era o Hino Nacional”.

   A adaptação e musica original são de Nicholas McNair, que também dirige o Coro Gulbenkian com os solistas Marina Pacheco, Sónia Alcobaça e Vasco Araújo bem como os actores Bernardo Rocha, Luís Magalhães, Noëlle Georg, Patrícia da Silva, Paula Sá Nogueira e Paulo Lages. Acompanha-os o “Ensemble do estúdio de ópera da ESML” (Catarina Távora violoncelo, João Carvalheiro clarinete e Tatiana Rosa flauta).

 

 

 

   Igualmente a 5 de Dezembro (Quarta-feira) sobe ao palco da Galeria Zé dos Bois (ZDB) a cantora (e compositora) norte-americana de indie-rock Shannon Wright (guitarra eléctrica, piano).

Shannon wright 5   Diz a Galeria que “… a sua música começou por se salientar pela gravidade e a dureza. As canções revolviam-se numa introspecção exigente (um quase mutismo), esculpidas em notas de piano e abrasivos riffs de guitarras, e distantes da ironia que ainda dominava o indie-rock

   Ao longo dos últimos doze anos, Shannon Wright não mudou muito. É verdade que de autodidacta passou a senhora dos seus sons, colaborou com músicos diferentes para não dizer antitéticos (Steve Albin/Yann Tierson) e tem balançado entre obras mais abrasivas (“Over the Sun”) e acessíveis ou “experimentais” (“Let in the Light”). Mas o seu “estilo” continua relativamente intacto.

   Quando se rodeia de bateria e mais guitarras, fá-lo com fidelidade primeiro às (suas) canções e só depois a um universo (“St. Pete”). Quando se abandona a arranjos de piano ou às notas de um teclado, é porque não resiste ao pedido das letras e da voz (“Everybody’s Got Their Own Part To Play” ou “Avalanche”). E quanto canta, é porque tem mesmo que cantar (“With Closed Eyes” ou “Strings of an Epileptic Revival”).

   É aquele tema “Avalanche” do álbum “Over the Sun” (2004) que aqui pode ouvir :

 

 

 

 

norberto lobo - Copynorberto lobo mel azul   Na Quarta-feira 5 de Dezembro (e na Quinta 6), o guitarrista lisboeta Norberto Lobo estará na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 22h, para apresentar o seu último álbum, “Mel Azul“, o seu quarto de originais.

   Os interessados podem ouvir aqui o seu recital em Novembro último no Porto onde o mesmo´disco foi divulgado :

 

 

 

 

dois cavalos   Por último, agora para os irredutíveis cinéfilos, continua nesta Quarta-feira 21 de Novembro, às 18h, no Anfiteatro II da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa  o Ciclo de Cinema «Portugal visto de fora» que o Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através do seu “Grupo de Investigação Memória e Historiografia”, em conjunto com o Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, organiza sendo o filme desta semana “Alla rivoluzione sulla due cavalli” (Itália, 2001) de Maurizio Sciarra.

   Esta comédia, baseada no livro de Marco Ferrari “Para a revolução num dois-cavalos”, tem como actores  Adriano Giannini (Marco), Gwenaelle Simon (Claire), Andoni Gracia (Vítor), Francisco Rabal (Tio Enrique), Georges Moustaki (Poeta) e Oscar Ladoire (Conde Agarruez).

   Sinopse :

dois cavalos 1   Marco, um rapaz italiano de 25 anos e um amigo seu português Vítor, partem de Paris num Dois-Cavalos amarelo. Naquela noite terminara em Portugal a ditadura mais longa do continente europeu e querem participar nesse acontecimento histórico mas, para que a experiência seja completa, deve partir com eles Claire, a ex-namorada de Vítor e sua camarada de estudos. Uma longa viagem num carro mítico e através de mil dificuldades será também uma viagem no interior de cada um na procura do que dá valor à vida e que é belo partilhar com os outros. A chegada a Lisboa e o contacto com uma liberdade que de ideal se transformara em real fá-los-á entrar definitivamente na vida adulta.

   Gozem com prazer este excerto do filme :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply