// Companhia de Teatro de Almada em co-produção com o TNDMII //
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Timão de Atenas parece ter sido composta na primeira década do século XVII, julgando os críticos que Shakespeare será apenas seu co-autor e que o poeta e dramaturgo Thomas Middleton (1580-1627) terá nela intervindo também. A peça põe em cena o desconcerto do protagonista face à vileza dos homens. Na primeira parte, Timão convida vários amigos para um deslumbrante banquete, presenteando-os e deixando-se ofuscar pelos seus elogios e manifestações de gratidão. Quando toma consciência da penúria, a eles recorre para sanar as dívidas, deparando-se com recusas e recriminações amargas e mesmo humilhantes, restando a Timão a amizade leal de Flávio, seu criado, e as advertências avisadas de Apemanto, filósofo. Decidido a vingar-se, volta a convidar os amigos para novo banquete, servindo-lhes agora somente água e pedras. Em Agosto de 2008, por ocasião do Festival de Mérida, Joaquim Benite dirigiu uma versão de Timão de Atenas (uma adaptação de Francisco Suárez) em que acentuou o pungente (mas também patético) desencanto do protagonista. Conhecedor do universo shakespeareano – tendo já encenado Othello (1993 e 2005), O mercador de Veneza (2003) e Troilo e Créssida (2010) -, o director da CTA e do Festival de Almada busca no teatro do dramaturgo inglês o «realismo capaz de transmitir, num plano poético, as preocupações que temos em relação à vida». Coisa nem tanto assim simples de conseguir, «num momento em que o teatro se afasta da poesia e quer ser o que não pode: mera fotografia». |
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