Africano que tu és, negro filho de negros, conheci-te em 1952, no CAFÉ CHIADO, em Lisboa. Bom estudante, trombudo sempre.
Eu, oscilando entre Económicas e Letras, sei que em 1951 foste preso pela PIDE por andares a recolher assinaturas para a Conferência de Paz em Estocolmo. É por isso que me apetece ser teu amigo. Porém, sisudo te manténs. Tento uma graça, a ver se rasgo um sorriso na tua cara:
– Ó garanhão, as raparigas com as maminhas ao léu, fazem da tua terra um autêntico paraíso. Ou não fazem?
Silêncio. Insisto:
– Então, não dizes nada?
Lá te descais:
– Nós não ligamos para isso.
– Ai não? Então o que é que vos assanha?
Mudez. Repiso. Sorumbático anuncias:
– É um rabo a rebolar…
Mato-me a rir, porém sozinho! Carrancudo continuas…