CARRANCUDO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet 

logótipo um café na internet

 

 

 

Africano que tu és, negro filho de negros, conheci-te em 1952, no CAFÉ CHIADO, em Lisboa. Bom estudante, trombudo sempre.

Eu, oscilando entre Económicas e Letras, sei que em 1951 foste preso pela PIDE por andares a recolher assinaturas para a Conferência de Paz em Estocolmo. É por isso que me apetece ser teu amigo. Porém, sisudo te manténs. Tento uma graça, a ver se rasgo um sorriso na tua cara:

 – Ó garanhão, as raparigas com as maminhas ao léu, fazem da tua terra um autêntico paraíso. Ou não fazem?

 Silêncio. Insisto:

 – Então, não dizes nada?

 Lá te descais:

– Nós não ligamos para isso.

– Ai não? Então o que é que vos assanha?

Mudez. Repiso. Sorumbático anuncias:

 – É um rabo a rebolar…

 Mato-me a rir, porém sozinho! Carrancudo continuas…

Leave a Reply