EDITORIAL: A ESQUERDA UNIDA

Diário de Bordo - II

 

Talvez a única certeza que os portugueses sentem (mais do que têm, sentem) é que o governo Passos/Portas/Gaspar os está a afundar cada vez mais no abismo. A fúria privatizadora, os cortes cegos, os discursos disparatados apontam todos no mesmo sentido: os senhores não sabem o que fazer, e escolheram a fuga para a frente. Agarram-se à troika, e sobretudo a um dos elementos da troika, a Comissão Europeia, onde pontifica Durão Barroso. Quando Passos Coelho diz: mata!, Durão Barroso grita: esfola! A explicação é evidente, está à vista de toda a gente: pertencem ambos ao PSD, e dão-se bem com as altas esferas político-financeiras.

O choque a que Portugal está a ser sujeito integra-se num processo inspirado naquilo a que Naomi Klein designou por doutrina do choque, e que tem sido aplicado em várias partes do mundo, como tem sido repetidamente falado. Que o processo está descontrolado não há dúvida, mas também não se duvide que obedeceu a uma linha pré-estabelecida.

Perante a situação há, claro, que unir esforços. Algumas movimentações vão nesse sentido, mas estão obviamente condenadas ao fracasso. Os que apostam na unidade da esquerda prestem atenção ao que diz Vital Moreira no Diário de Notícias de ontem: não acredita. Não espanta que não acredite, mas há que ver que muitas outras figuras partidárias, embora não o digam abertamente, também não acreditam e mais, não estão interessadas.

O momento é das movimentações sociais, das manifestações de rua. A manifestação de ontem no Algarve contra o colossal disparate das portagens na A22, que arrasam a economia regional e só interessam às concessionárias, ali e em todo o País, são um exemplo vivo. Claro que os partidos interessados em mudar o actual estado de coisas deverão apoiar estas movimentações, e ajudá-las a conjugar esforços.

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