Portugal entrou para a União Europeia vai fazer 27 anos. As análises feitas na altura e posteriormente apontam para uma adesão muito mal conduzida, como se tivéssemos de entrar na UE a qualquer preço, custasse o que custar. Os resultados foram desastrosos para a economia portuguesa, e os vários governos que entretanto estiveram no poder pouco fizeram para remediar a situação.
Desde há muito que se tinha a noção de que a União Europeia desde a sua criação tem sido útil sobretudo para as grandes empresas, e ainda mais para o grande capital financeiro. No livro O Desafio Americano, em 1967, Jean-Jacques Servan-Schreiber, descreveu como quem estava a tirar mais partido das facilidades da então chamada CEE – Comunidade Económica Europeia, eram as grandes empresas multinacionais, na sua maioria de origem norte-americana. Este livro teve um grande impacto no ressurgimento do nacionalismo do lado de cá do Atlântico, mas os efeitos práticos não foram os pretendidos. Outro aspecto importante para que chamava a atenção, a necessidade de uma maior cooperação entre os países da Europa, não foi tão compreendido.
A actuação dos mecanismos europeus no sentido de transferir importantes somas de dinheiro para os países recém-entrados supostamente para apoiar o respectivo desenvolvimento e diminuir as assimetrias acabou por se revelar ineficaz, pelo menos em relação ao objectivo declarado. E assim, de degrau em degrau, chegámos à troika. A política de austeridade é a consequência directa do processo histórico de adesão. Os países de menor dimensão e estrutura mais obsoleta, com maior concentração de riqueza, acabaram por falhar completamente o objectivo de aproximar o seu grau de desenvolvimento dos países maiores.
Em todo o processo pesou a contradição entre o capital e o trabalho. A ideologia neo-liberal, logo na década seguinte à da publicação de O Desafio Americano, começou a impor-se decididamente, na Inglaterra e nos EUA. E o capitalismo financeiro partiu para a maior arrancada de sempre, lançando as economias dos países mas débeis em grande confusão, de fomento ao consumo, crédito fácil e salários baixos, favorecendo as máquinas industriais mais poderosas, e uma competição destruidora para as mais fracas. Assim chegámos à situação actual, em que a economia portuguesa está profundamente dependente.

