A COMUNICAÇÃO DO PROFESSOR ANÍBAL AO PAÍS – por Mário de Oliveira

Noite de 1 de Janeiro 2013. O Prof. Aníbal falou ao País. Não sem, imediatamente antes e imediatamente depois, se ouvir o Hino Nacional gritar, Às armas, às armas! Contra os canhões, marchar, marchar! O discurso do Prof. Aníbal era gravado. O Hino nacional era gravado. Tudo faz de conta, como convém nestes começos de um novo ano. E a verdade é que ninguém saiu das suas casas para as ruas a gritar, Às armas, às armas! Nem ninguém marchou contra os canhões, de resto, bem acantonados e silenciados, como lixo, nos quartéis, de todo politicamente inúteis, pior, prejudiciais. À imagem e semelhança do Estado que está aí, como um chulo político institucional, sempre pronto a roubar/comer/matar as populações. O discurso gravado foi, de imediato, comentado pelos partidos políticos que têm cadeiras, regalias e mordomias no Parlamento, em Lisboa. Pelos vistos, são eles o “povo português”.

Os grandes media, todos propriedade de grandes grupos financeiros, que dominam e formatam as mentes das populações, não sabem outra. Propositadamente confundem as populações, cada mulher portuguesa, cada homem português, na sua situação concreta, cada vez mais dolorosa e dramática, com os partidos políticos que têm cadeiras, regalias e mordomias no Parlamento, em Lisboa. Tal como propositadamente confundem a Igreja, em Portugal, com os bispos católicos romanos que têm cadeiras, regalias e mordomias, na Conferência Episcopal Portuguesa. As populações de carne e osso, com os seus dramas, as suas agruras e amarguras, simplesmente, não existem. Só quando chega a hora de votar em eleições, é que sim. E mesmo aí, não como mulheres/homens adultos, só como número de votos colocados nas respectivas urnas, tantos votos a favor, tantos votos contra, tantos votos em branco, tantos votos nulos.

Enquanto a esmagadora maioria das mulheres, dos homens que já não vota, nem como números conta! Ah! E o que diz o discurso gravado do Prof. Aníbal, ex-primeiro ministro do governo português, durante 10 anos, ex-presidente da República portuguesa, durante cinco anos, e, de novo, Presidente da República portuguesa, em segundo mandato? Aos quesitos do País e das populações de carne e osso, disse nada. O que disse foi mais do mesmo e com tudo de vómito político. Lavou, mais uma vez, as mãos como Pilatos. Fez vagos apelos, não às armas nem à marcha contra os canhões, como o Hino nacional desassombradamente escreve, mas a consensos entre os partidos políticos que têm cadeiras, regalias e mordomias no Parlamento, em Lisboa. E tudo isto, depois dele próprio já ter aprovado/promulgado o OE 2013, já em vigor, e que, a partir deste dia 1 de Janeiro 2013, vai chular ainda mais as populações desempregadas, reformadas, envelhecidas, acamadas, adoecidas, deprimidas, ou ainda a trabalhar por conta de outrem, mas regidas por um maquiavélico Código de Trabalho, aprovado/promulgado também por ele, e que transforma as empresas em outros tantos locais de tortura, nenhuma cultura, nenhuma humanidade, nenhuma dignidade, nenhuma criatividade. Haja modos, Senhor Presidente da República! Haja modos! Tanto Cinismo político é, de todo, intolerável.

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