EDITORIAL: SERÁ O EMPOBRECIMENTO UMA FATALIDADE?

Diário de Bordo - II

Durante muitos anos ouvimos dizer que os países e as sociedades em geral só poderiam enriquecer no sistema  capitalista. Quando falávamos nas injustiças reinantes, nas diferenças sociais intoleráveis, no número de pobres entregues à sua sorte, respondiam-nos que as alternativas eram, ou seriam, muito piores. E apontavam-nos países que não declaravam o lucro como objectivo primordial, e informavam-nos de que nesses países não se criava riqueza, e portanto não podiam garantir a todos um nível de vida razoável, nem mesmo só a uma parte da população. Por isso só os ditadores que os governavam, mais alguns amigos, viveriam bem, e o povo vegetava na miséria. Pelo menos era o que nos diziam.

Há uns vinte anos a esta parte caiu o muro de Berlim, que era sem dúvida uma coisa má. Ele continua a haver muros a separar pessoas, ou até a bloquear pessoas, como na Palestina, mas não se fala tanto neles. A Alemanha reunificou-se e a URSS desintegrou-se. Numa série de bancos e de companhias começou a haver cada vez mais uns tipos chamados gestores a ganharem muito dinheiro, muito mais até que os funcionários desses bancos e companhias, e infinitamente mais que o comum de todos nós. Cada vez se deu mais importância a uns sítios chamados bolsas, a cotações financeiras, e a coisas similares.

Depois houve uns bancos qua abriram falência (Lehmann Brothers, não era?) e começou-se a falar de contas falsificadas, de activos tóxicos e de outras coisas derivadas, perdão de produtos derivados. E começaram a dizer que a culpa era de todos nós, e que todos tínhamos de aguentar os prejuízos. Mais: chegaram à conclusão de que tínhamos de empobrecer. Todos.

Alguns, sem dúvida que mais desconfiados, dizem que os responsáveis pelas falências, contas falsificadas, etc. continuam na mesma, e não têm empobrecido. Um ou outro anda a contas com a justiça, mas a maioria continua na mesma. Dizem que são 1 por cento da população. Que os 99 por cento restantes vão ter de aguentar por eles.

O pior é que isto é mesmo verdade.

Leave a Reply