Pentacórdio para Sexta 4 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

 

   Na Sexta-feira 4 de Janeiro prossegue o “acordar” paulatino do ano de 2013, não sendo ainda muitos os focos de interesse no panorama musical lisboeta.

minta   Um poderá ser a ida à galeria Zé dos Bois (ZDB), às 22h, de Minta & The Brook Trout, um agrupamento português composto por Francisca Cortesão (foto)(voz, guitarra acústica), Mariana Ricardo (voz, baixo, ukulele), Manuel Dordio (guitarra eléctrica, lap steel) e Nuno Pessoa (bateria, percussão, voz) com João Cabrita (saxofone baritone) e Ian Carlo Mendoza (vibrafone e percussão).

minta 0   Anunciam-se como (e a crítica foi unânime nessa apreciação) “… Artesanato sonoro. A ideia poderá soar forçada e alguns poderão mesmo questionar se toda a música não será isso mesmo. No entanto, pairam delicadeza e destreza em doses pouco habituais sobre a obra de Minta & The Brook Trout … cuja presença se escuta ao longo do último álbum «Olympia» (cuja gravação foi ultimada nos Estados Unidos). Dez polaroids em família, onde se retratam as paisagens folk e pop que surgem deste encontro.minta 2 Ecoam discretamente referências como Julie Doiron, Mount Eerie ou Elliott Smith e atinge-se um grau de elegância que tantas vezes se anseia e não se encontra. Os arranjos vocais e instrumentais alinham-se de forma a não deixar nada entregue ao mero acaso. Principalmente quando se pode extrair tanto dos pormenores. E é neste sentido que a música de Minta & The Brook Trout sai do canto escuro para se revelar timidamente na mais solarenga luz. Um conforto que se saboreia sem o menor receio da eventual monotonia que daí poderia advir”.

   Tal é, p.ex., apreciável  num dos temas desse álbum, Falcon (Setembro 2012) :

  

 

 

 

gospel collective 0   Outra actuação interessante poderá ser a dos “Gospel Collective” no Onda Jazz, às 22h30 da mesma Sexta-feira 4 de Janeiro.

gospel collective   Nascida no final de 2010 em Lisboa e dirigida por Anastácia Carvalho e Leopoldo Timana (ambos do ex-Faith Gospel Choir), esta recente formação ecuménica de mais de 20 vozes, engloba elementos de diferentes nacionalidades (moçambicanos, guineenses, cabo-verdianos, angolanos, são-tomenses, portugueses, belgas) com bastante experiência não só no gospel como em outras áreas musicais (jazz, soul, rock, afrobeat, hip-hop, pop, reggae e funk) em Portugal.

   Cantando em português e inglês , o repertório do colectivo vai beber ao repertório gospel norte-americano nas suas diferentes sonoridades, desde os espirituais negros “Amazing Grace” ou “No more my Lord”, aos tradicionais” Happy Day”, “Swing Low “, “Oh When the Saints”, passando também pela soul “Say a little prayer for you” e terminando no urban gospel através de temas dos aclamados compositores Kirk Franklin, Fred Hammond ou Kurt Karr.

   Eis o registo duma sua interpretação no Espaço Nimas em Março de 2011 :

 

 

 

 

   Entretanto, na linha do habitual na época, o Coliseu dos Recreios organiza nesta Sexta-feira 4 de Janeiro, às 21h30, um “Concerto de Ano Novo” onde a Strauss Festival Orchestra e o Strauss Festival Ballet Ensemble tocam (e dançam) uma selecção das melhores valsas, polcas e marchas de Strauss.

   Informa-se que “interpretarão títulos tão conhecidos do músico austríaco, como «Napoleão», «Festa das flores», «Klipp Klapp», «A valsa do imperador» ou «Champagne» e que não faltará a valsa mais célebre de todas, o magnifico «Danúbio Azul» nem a marcha «Radetzky» que, ao compasso das palmas do público, fecha a noite habitualmente. Além disso, o bailado, com estilizadas coreografias e vestuários de sonho, restitui um aspecto essencial àquelas composições musicais concebidas para acompanhar a dança…”.

   O espectáculo será idêntico ao registado (p.ex.) há dois anos no Palau da música de Barcelona com esta Orquestra para mais abrilhantado com o villancico “25 de Desembre” em catalão :

 

 

 

 

untitled   Num campo totalmente diverso, informa-se os interessados por literatura de viagens que,  no âmbito da exposição “À la recherche du temps perdu” que já aqui noticiámos, tem lugar no Goethe-Institut (Campo dos Mátires da Pátria, nº37), às 19h desta Sexta 4 de Janeiro, a conferência “Jornadas/ da Alemanha, jornadas de Hamburgo – As viagens de Hubert Fichte e os destinos favoritos da literatura de viagens alemã” proferida por Diedrich Diederichsen, actualmente professor de Teoria, Prática e Comunicação de Arte Contemporânea na Academia de Belas Artes de Viena.

fich1   Introduzindo o tema : “Hubert Fichte (na foto), cuja escrita, no seu tempo, foi muitas vezes comparada de forma redutora com a escrita beatnik norte-americana, compôs a maior parte da sua obra em torno das experiências de viagem e enquanto viajava. A literatura de viagens alemã situa-se no contexto de duas tradições: a viagem a Itália, que deveria educar a razão alemã dormente através da luminosidade das paisagens italianas e da cultura renascentista; e a viagem espanhola, género que se baseou em noções românticas de experiências irracionais sombrias. Goethe foi a Itália e os românticos traduziam Calderón. Até que ponto terá sido decisiva para Hubert Fichte a escolha de Portugal como ponto de partida para as suas explorações pós-coloniais e queer do «Atlântico Negro»”?

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

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