PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – Maioria dos desempregados não encontra emprego há mais de 1 ano

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3 de Janeiro de 2013

O Público divulga hoje, com base nas estatísticas do INE, que o desemprego de longa duração (mais de 12 meses de procura) constitui já a maioria dos desempregados (55,6%). Isto significa um aumento de 35,8% em relação ao ano passado. Num país em que a maioria dos trabalhadores com emprego são trabalhadores precários, constitui-se um autêntico exército de reserva constituído por trabalhadores e trabalhadoras no desemprego, na sua maioria de longa duração. Este fenómeno não é um dano colateral das políticas económicas da troika e deste governo – é, pelo contrário, um dos seus principais objectivos.

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Com uma taxa de desemprego real na ordem dos 20,25% (sendo o oficial de 16,3%), estar desempregado não é, como indicam estes dados, uma situação transitória. O grupo identificado como mais vulnerável a ser desempregado de longa duração é composto por pessoas com mais de 35 anos e qualificações mais baixas, embora seja nos jovens e que esta tendência está a disparar: os desempregados de longa duração dos 15 aos 24 anos aumentaram 60,4%, dos 25 aos 34 aumentaram 47,7%. Os 412.200 desempregados jovens (dos 15 aos 34 anos) são a principal consequência da precarização do mercado laboral, acelerada pelo memorando da troika (tendo desde a sua assinatura aumentado em 37,6% o número de desempregados jovens).

O desemprego de longa duração é, além dos números, um fenómeno de grandíssimo impacto social, levando literalmente à regressão social individual, fazendo com que as pessoas tenham de perder as suas casas, regressar à dependência familiar (quando tal é possível), abdicar da sua própria independência e cada vez mais ficar sem apoios sociais. Também é conhecido o fenómeno do regresso ao mercado após longos períodos de desemprego – regressa-se desmotivado, a trabalhos piores, mais mal-pagos e com menos direitos. O desemprego de longa duração é uma antecâmara conhecida para a precariedade laboral como regra. Razão pela qual quanto mais precários os trabalhos, maior o desemprego e também o desemprego de longa duração. Tendências que hoje se confirmam abundantemente, no ocaso da economia portuguesa.

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