REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção, tradução e nota de leitura de Júlio Marques Mota

Alemanha - III

Nota de leitura sobre um relatório alemão

A verdade económica na Europa fabrica-se nos gabinetes, a mostrar  mais uma vez a falência de um modelo  que muita gente considera de sucesso, o modelo alemão, o modelo europeu Um exemplo de  que como se “fabrica” a perspectiva da melhor zona geográfica de aplicação do modelo europeu actual, na Alemanha, portanto .

Júlio Marques Mota

Quando Berlim elimina as passagens críticas sobre a pobreza de um relatório departamental

Reuters, La Tribune.fr | 28/11/2012.

De acordo com o Süddeutsche Zeitung, o governo alemão maquilhou um relatório quadrienal sobre a riqueza e a pobreza no país , relatório esse redigido pelo Ministério do Trabalho, indo ao ponto de se suprimirem  passagens  críticas sobre o alargamento das desigualdades.

“O património privado na Alemanha está distribuído muito desigualmente.” Esta afirmação, que figura logo na introdução de um relatório quadrienal sobre a riqueza e pobreza na Alemanha, pura e simplesmente… desapareceu na sua  versão final. Isto é o que nos relata o Süddeutsche Zeitung, que obteve uma cópia do relatório do Ministério do Trabalho, antes de este ter sido retocado .

Na mesma linha, alguns detalhes factuais, foram apagados. Assim, observa o diário, a frase “na Alemanha em 2010, quase 4 milhões de pessoas trabalhando por um salário bruto por hora de menos de 7 euros” também desapareceu.

Uma prosa refeita

Mas isto não é tudo. Nalguns casos, a prosa foi em grande parte refeita  para  favorecer o governo. Assim, uma frase que inicialmente denunciava a baixa  dos salários reais nestes dez anos para as  pessoas de baixos rendimentos  fala agora deste declínio como o “sinal  de melhorias estruturais” do mercado de trabalho. Como é isto?  Graças à  criação de muitos empregos de baixos salários entre 2007 e 2011, o que teria permitido o retorno ao emprego de desempregados, diz-nos  o relatório.

Segundo o Süddeutsche Zeitung,  o ministro liberal da economia, Philipp Rösler (FDP) ,  teria  feito  assinalar   que a primeira versão do relatório do Ministério do Trabalho, controlado pela democrata-cristã (CDU) Ursula von der Leyen, não era consistente, não se quadrava com a opinião do governo. Interrogado pela AFP, um porta-voz do Ministério do Trabalho  diz entretanto que “este não é um relatório maquilhado”. Explicação: “as modificações  foram tomadas após consulta aos vários ministérios”, um “processo normal”.

A Pobreza, o calcanhar de Aquiles de Berlim

Mas sem ofensa a Berlim, a pobreza continua a ser o calcanhar de Aquiles do país. Em meados de Outubro, o Instituto federal  de estatísticas, Destatis,  (o equivalente ao nosso INE) anunciou que 15,8% da população alemã, ou seja 12,8 milhões de habitantes, em 2010, estavam ameaçadas pela pobreza. Esta proporção   está em alta  regular  desde 2008 onde  era de 15,5%.

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